Homem de 55 anos é primeira vítima mortal de protestos na Tunísia

Túnis, 9 jan (EFE).- Um cidadão tunisiano morreu na noite de segunda-feira durante um dos vários protestos que ocorrem no país e que começaram a ganhar intensidade nos últimos dias, à medida que se aproxima o sétimo aniversário da revolução que acabou com a ditadura de Zine El Abidine Ben Ali na Tunísia.

Para a tarde desta terça-feira foi convocada uma grande manifestação na emblemática avenida Habib Bourguiba, epicentro da revolta que surpreendeu o mundo e que suscitou as conhecidas "Primaveras Árabes".

Convocada pelo coletivo "Não em Meu Nome", que engloba grupos de estudantes e ativistas de esquerda, a marcha pretende elevar o tom "contra a política de austeridade do Governo e contra a opressão policial", explicaram à Agência Efe responsáveis da plataforma.

Na represália a uma dessas manifestações, realizada ontem à noite na cidade de Tebourba, 40 quilômetros da capital tunisiana, um cidadão morreu e outros cinco ficaram feridos, informou a agência oficial de notícias locais "TAP".

A fonte, que replica um comunicado oficial do Ministério de Interior, explica que o homem, de 55 anos, morreu em um dos hospitais da zona após ter sido internado por uma crise respiratória.

"Sofria com uma crônica falta de ar e não apresentava sintomas de ter sofrido violência ou de ter sido atropelado", explicou, por sua parte, o médico forense que examinou o corpo.

A análise do legista contradiz as versões que foram divulgadas através de internet e que apontavam que o homem tinha apanhado e depois foi atropelado por um caminhão da polícia.

O próprio Ministério sugere que a causa poderia ter sido a inalação de gás lacrimogêneo, usado pelas forças antidistúrbios para dispersar a marcha, convocada igualmente por coletivos de jovens e movimentos de esquerda.

Os protestos em Tebourba foram similares aos que ocorreram em diferentes partes do país, incluída a cidade de Sidi Bouzid - origem da revolta de 2011 - depois que foi revelado que o Governo aprovou um novo aumento de impostos para 2018.

O aumento foi incluído nos Orçamentos Gerais do Estado que o Executivo tunisiano aprovou sob as pressões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), que exigem agudos cortes em troca do crédito concedido em 2016 por valor de 2,5 bilhões de euros.

Sete anos depois da chamada "Revolução de Jasmim", a Tunísia está imersa em uma grave crise econômica e social que pôs em perigo a continuidade da única transição política de êxito das agora fracassadas "Primaveras Árabes".

Ao alto índice de desemprego e à estendida corrupção, problemas já endêmicos, se somaram nos últimos anos uma alta inflação, uma perda constante de moedas e uma paulatina queda do valor da moeda local, fatos que empobreceram ainda mais a população.

Além do aumento dos impostos e dos câmbios no sistema comercial, o FMI exigiu ao Governo diminuir a despesa e reformar a Administração Pública, o que levará este ano à perda de cerca de um milhão de postos de trabalho.

Neste contexto, as greves e protestos de diversos coletivos ocorrem há mais de um ano, mas nas últimas semanas começaram a ganhar intensidade.

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