Oposição de Guiné Equatorial diz que assédio de militares à sua sede acabou

Nairóbi, 9 jan (EFE).- Os militares que assediavam desde o dia 28 de dezembro a sede do único partido de oposição de Guiné Equatorial com representação parlamentar, o Cidadãos pela Inovação (CI), se retiraram, afirmou nesta terça-feira à Agência Efe o líder da legenda, Gabriel Nsé Obiang Obono.

Em uma conversa telefônica com a Efe, Nsé Obiang, que está em Malabo, a capital de Guiné Equatorial, lamentou que, apesar de ter terminado o assédio que manteve cerca de 45 militantes da legenda sem comida e água durante 12 dias, ainda há mais de 200 membros do CI detidos em prisões, que foram submetidos a torturas e "maus-tratos".

Entre eles estão os dois únicos políticos eleitos do partido no pleito legislativo de novembro de 2017: o deputado Jesús Mitogo Oyono e a vereadora da câmara municipal de Malabo, Elvira Behebá Sité.

Nsé Obiang denunciou que o Ministério do Interior deu até amanhã como prazo para os deputados assumirem seus cargos, por isso, se Mitogo Oyono permanecer detido, não poderá tomar posse da única cadeira que a oposição conseguiu na Câmara de Deputados.

Em relação à vereadora Behebá Sité, Nsé Obiang assinalou que ela "sequer pode andar" após as torturas sofridas durante a detenção.

"Exigimos ao governo que liberte os presos políticos do partido se deseja entrar em uma fase de normalização da situação", reivindicou o líder do CI, que denunciou que nenhum membro do Executivo fez contato com eles até o momento: "Estamos esperando. Eles têm que permitir um espaço de diálogo mesmo que tenhamos apenas um deputado".

"Estão estragando cada vez mais a situação política e nos impõem tudo, tomam as decisões unilateralmente. Há gente presa injustamente", denunciou o opositor.

Nsé Obiang indicou que continuará hoje tentando fazer contato com o ministro do Interior e presidente da Junta Eleitoral Nacional (JEN), Clemente Engonga Nguema Onguene, com quem vem tentando contato, mas sem sucesso, há algum tempo.

Sobre a visita de um representante da ONU ao país depois que o governo denunciou a tentativa fracassada de golpe de Estado, da qual acusam Nsé Obiang de envolvimento, o líder opositor lamentou o fato de não ter se reunido com eles: "A ONU veio para agir parcialmente em favor do governo e não se interessou pelos presos políticos torturados".

A Efe tentou contato com a delegação da ONU enviada ao país africano, mas não obteve sucesso até agora.

A tensão aumentou em Guiné Equatorial no fim de dezembro por consequência de um suposto golpe de Estado frustrado, denunciado pelo governo de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que dirige o país desde 1979, quando derrubou seu tio Francisco Macías com um golpe militar.

O ministro de Estado de Segurança Nacional do país africano, Nicolás Obama Nchama, afirmou que um grupo de mercenários de Chade, Sudão e da África Central entraram em 24 de dezembro nas localidades de Kie Osi, Ebebiyin, Mongomo, Bata e Malabo para atacar o presidente, segundo um comunicado ao qual a Efe teve acesso.

O Executivo acusou a oposição "radical tanto do interior como do exterior" pela suposta tentativa fracassada de golpe.

"É uma vingança pessoal. Ele (o presidente) sabe perfeitamente. É um ajuste de contas, não fizemos nada. Ele quer acabar com o partido Cidadão pela Inovação utilizando uma mentira", comentou Nsé Obiang em conversa com a Efe no último sábado.

Nas eleições legislativas de novembro do ano passado, a oposição só conseguiu uma cadeira das 100 que compõem a Câmara dos Deputados, e nenhuma no Senado, enquanto que as 99 restantes foram para o Partido Democrático de Guiné Equatorial (PDGE) de Teodoro Obiang Nguema.

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