Paquistão aceitará algumas das exigências dos EUA na luta contra terrorismo

Islamabad, 9 jan (EFE).- O governo do Paquistão decidiu aceitar algumas das exigências dos Estados Unidos, entre elas medidas contra a Rede Haqqani, depois que Washington suspendeu a ajuda em segurança por sua falta de colaboração na luta contra o terrorismo, informou nesta terça-feira à Agência Efe uma fonte oficial.

"Temos que aceitar algumas das reivindicações dos EUA para evitar a percepção atual", disse à Efe um funcionário de alto escalão do Ministério de Relações Exteriores que preferiu manter o anonimato, ao referir-se à forma como o Paquistão é visto no exterior em relação à luta contra os talibãs.

A fonte indicou que entre as medidas está a tomada de ações contra a facção dos talibãs afegãos Rede Haqqani que, segundo sustentam os EUA e o Afeganistão, se refugiam em território paquistanês.

O funcionário acrescentou que provavelmente a decisão acarretará uma resposta deste grupo, mas o Paquistão procura "reconciliar-se" com os Estados Unidos e "não pode permitir-se uma confrontação" com Washington.

A fonte não detalhou que novas medidas serão tomadas nesta direção.

Em seu primeiro tweet de 2018, o presidente americano, Donald Trump, criticou o Paquistão por suas "mentiras e enganos" e por "dar refúgio aos terroristas" que Washington persegue.

"Os Estados Unidos deram ingenuamente ao Paquistão mais de US$ 33 bilhões de ajuda durante os últimos 15 anos, e a única coisa que eles nos deram são mentiras e enganos", escreveu Trump.

Desde então, "algumas delegações dos EUA" viajaram para Islamabad para discutir a crise, segundo a fonte.

No entanto, na quinta-feira, os Estados Unidos anunciaram a decisão de suspender a maior parte da ajuda de segurança que oferece ao Paquistão, fundos cifrados em cerca de US$ 1 bilhão.

A fonte de Relações Exteriores assegurou que o Paquistão não contempla nenhum plano para cortar as comunicações através do seu território das forças dos Estados Unidos e da OTAN com o Afeganistão nem de aumentar as tarifas que cobra por isso, uma das principais medidas de pressão das quais dispõe Islamabad.

O governo paquistanês também fez exigências aos EUA, como a tomada de ações contra os talibãs paquistaneses supostamente refugiados em solo afegão, o controle da fronteira e a repatriação dos refugiados do Afeganistão.

O Paquistão negou então a presença dos Haqqani em seu território e voltou a reivindicar seu papel na luta antiterrorista, que lhe custou, segundo o governo, mais de 60.000 vidas e US$ 123 bilhões em perdas econômicas.

EUA e Afeganistão acusaram o Paquistão durante anos de dar refúgio a facções talibãs, acusações que Islamabad sempre rechaçou apesar de o fundador dos talibãs, o mulá Omar, ter morrido em um hospital de Carachi em 2013, e seu sucessor, o mulá Mansour, ter morrido em um ataque de um drone em solo paquistanês em maio de 2016.

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