Unicef desconhece paradeiro de milhares de crianças rohingya em Mianmar

Genebra, 9 jan (EFE).- O Unicef manifestou nesta terça-feira sua inquietação pelo paradeiro de milhares de crianças da etnia rohingya que vivem no norte do estado de Rakhine, em Mianmar, e denunciou a falta de acesso à região, onde não há distribuição de água nem de comida, e nenhum centro de saúde em funcionamento.

A porta-voz do Unicef, Marixie Mercado, descreveu em uma coletiva de imprensa sua viagem às regiões central e norte do estado de Rakhine, onde vive a maior parte da comunidade muçulmana rohingya, perseguida e discriminada pelas autoridades de Mianmar durante décadas.

No fim de agosto de 2017, o Unicef tratava nessa região de 4.800 crianças que sofriam de desnutrição aguda severa, mas, após a repressão, as autoridades negaram o acesso a todas as agências humanitárias da ONU, por isso o fundo da ONU desconhece o paradeiro e a situação dessas crianças.

Os 12 centros de tratamento terapêutico e todos os centros de atendimento primário existentes e que recebiam o apoio do Unicef ficaram destruídos durante a escalada da violência.

"Ninguém distribui água ou comida", denunciou a porta-voz.

Além disso, não se sabe quantas crianças estão na região, ou quantas fugiram para Bangladesh, onde mais de 620 mil se refugiaram desde que a onda de violência começou em 25 de agosto.

Organizações com as quais o Unicef trabalha no terreno identificaram 20 crianças que foram separadas de suas famílias, mas estima-se que este número pode chegar a 100, e elas não estão sendo atendidas porque as organizações não têm acesso à região.

Marixie conseguiu visitar uma área de favelas no norte do estado onde estima-se que sobrevivem 60 mil pessoas das 440 mil que residiam em Rakhine antes de agosto.

Na parte central do estado, há cerca de 60 mil crianças rohingya distribuídas por 23 campos de refugiados, onde as organizações humanitárias têm acesso bastante limitado, o que torna a distribuição de assistência muito precária, evidenciou Marixie.

As restrições à liberdade de movimento também são impostas à comunidade, que não pode deixar os povoados e os acampamentos onde estão confinados, e a maioria deles não tem acesso aos poucos serviços médicos disponíveis.

A porta-voz explicou que os rohingya só têm permissão para sair do acampamento se apresentarem um certificado médico que solicite mais tratamento.

Caso consigam esse documento, será necessário pagar uma taxa para viajar, mas a maioria não tem recursos para isso.

Quando conseguem superar esses impedimentos e chegar ao hospital, os rohingya são imediatamente restringidos a uma área separada e não é permitido o seu contato com o exterior.

Tampouco há autorização para que os pacientes estejam acompanhados por um familiar, detalhou Marixie.

Por outro lado, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Christian Lindmeier, explicou que em Cox's Bazar, a localidade de Bangladesh para onde a maioria dos refugiados fugiu, há 58.700 mulheres grávidas, das quais 16 mil darão à luz nos próximos três meses e 67% delas não têm acesso a serviços obstétricos e ginecológicos.

Sobre o surto de difteria nos acampamentos, Lindmeier indicou que foram registradas 30 mortes e 3.649 casos até o momento.

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