Advogada pede liberdade de Julian Assange ao Governo do Reino Unido

Londres, 10 jan (EFE).- A equipe jurídica do fundador do Wikileaks, Julian Assange, pediu nesta quarta-feira ao Governo do Reino Unido que permita que o australiano fique em liberdade, ao mesmo tempo que agradeceu ao Equador por sua proposta de buscar mediação para resolver o caso.

"Se o Reino Unido quer demonstrar que é um país que respeita suas obrigações de direitos humanos e compromissos com a ONU, chegou o momento de permitir que Assange desfrute de sua liberdade", disse à Agência Efe a advogada Jennifer Robinson.

Robinson, que representa o especialista informático desde 2010, agradeceu ao Governo de Quito por proteger seu cliente, "apesar das significativas pressões políticas", e pediu que tente encontrar uma saída para seu caso, "mediante este último pedido de mediação".

O Executivo britânico insistiu que "o Governo equatoriano sabe que a única maneira de resolver este assunto é que Julian Assange deixe a embaixada e enfrente a Justiça".

A chanceler do Equador, María Fernanda Espinosa, anunciou nesta quarta-feira que seu Governo analisa a possibilidade de um terceiro país ou uma personalidade intermediar na busca de uma solução definitiva ao caso Assange, que está refugiado na embaixada do país andino em Londres desde 19 de junho de 2012.

O ativista era requerido desde 2010 pelas autoridades suecas após as acusações de duas mulheres de abuso sexual - que ele negou -, mas finalmente a Suécia arquivou a causa em maio ao não poder avançar na investigação.

No entanto, Assange segue asilado pelo risco de, se deixar a embaixada, ser detido pelas autoridades britânicas e deportado eventualmente aos EUA, onde teme ser julgado pela publicação no WikiLeaks de documentos militares e diplomáticos de caráter confidencial.

A polícia de Londres advertiu que deterá Assange por ter quebrado as condições de sua liberdade condicional imposta por um Tribunal britânico em 2012.

Robinson, do escritório de advocacia londrino Doughty Street Chambers, sublinhou que seu cliente tem "o direito fundamental à proteção diante da perseguição dos Estados Unidos" e lembrou que em 2016 o Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenções Arbitrárias concluíu que o australiano está em uma "situação de detenção arbitrária".

Segundo a advogada, o risco de perseguição por parte das autoridades americanas "aumentou nos últimos meses, devido à guerra contra o WikiLeaks da administração de (presidente Donald) Trump".

Espinosa disse na terça-feira que a situação de Assange na embaixada, à qual chegou após dois anos de prisão domiciliar na Inglaterra, "não é sustentável" desde o ponto de vista humano, ao mesmo tempo que renovou o compromisso de seu Governo com sua proteção.

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