Cientista e intelectual tentam surpreender nas eleições presidenciais tchecas

Praga, 10 jan (EFE).- O ex-presidente da Academia de Ciências da República Tcheca, Jiri Drahos, e o empresário e intelectual Michal Horacek são os únicos candidatos à presidência do país que podem fazer certa sombra ao grande favorito a ganhar o pleito deste final de semana, o atual chefe do Estado, Milos Zeman.

Drahos, de 69 anos, foi o primeiro a anunciar sua intenção de arrebatar a chefia do Estado do atual inquilino do Castelo de Praga, a sede de presidência do país centro-europeu.

Trabalhou toda sua vida como analista químico em centros de pesquisa da Academia de Ciências, entidade que liderou durante oito anos.

Sem perfil nem experiência política, apoiou sua candidatura no seu prestígio social, em uma folha de serviços imaculados e em sua total ausência de vínculos com a ditadura comunista que terminou em 1989.

Este químico não colaborou com a polícia política nem foi membro do Partido Comunista, uma militância obrigatória quando se queria ascender na lista profissional dentro do regime.

O candidato defendeu durante a campanha que a República Tcheca exerça um papel mais ativo dentro da União Europeia (UE), em um país onde a maioria da população não quer adotar o euro como moeda e onde o sentimento eurocético é grande.

As pesquisas mostram Drahos com 21% do apoio eleitoral, atrás do 32% com o qual se espera que Zeman ganhe o primeiro turno das eleições desta sexta-feira e sábado, embora sem maioria suficiente para evitar um segundo turno duas semanas depois.

O terceiro concorrente que alimenta esperanças, do total de nove que se apresentaram aos pleitos, é Michal Horacek, um intelectual e dissidente que une elementos do legado do ex-presidente e dramaturgo Vaclav Havel. As pesquisas lhe situam com 10% dos apoios.

Durante os seus estudos de Ciências Sociais e Jornalismo na década dos anos 70, Horacek entrou em conflito com o regime comunista e teve que abandonar a universidade, embora depois tenha conseguido doutorar-se em Antropologia após a instauração da democracia em 1990.

Embora durante a transição à democracia tenha mantido certa atividade política, tentando criar pontes entre as velhas estruturas comunistas e a dissidência liderado por Havel, sua experiência na esfera pública foi limitada.

Horacek, de 65 anos, fez fortuna criando o primeiro escritório de apostas do Leste europeu, depois de mostrar grande afeição pelas corridas de cavalos e inclusive escrever livros sobre a criação de raças puro-sangue.

Com a venda da sua empresa pôde contribuir para projetos em colaboração com a fundação de Vaclav Havel e atividades beneficentes, como corridas de incapacitados em cadeiras de rodas, concertos para a Sociedade de Alzheimer ou campanhas para cegos.

Além disso, é autor de vários livros sobre temas políticos e da atualidade que quebraram recordes de vendas no país.

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