EUA cancelam visto para ex-chanceler argentino por sua situação judicial

Buenos Aires, 10 jan (EFE).- Os Estados Unidos revogaram o visto do ex-chanceler da Argentina Héctor Timerman, que está em prisão domiciliar devido à investigação pelo suposto acobertamento dos iranianos acusados pelo atentado contra uma associação judaica em 1994 em Buenos Aires, quando ele se dispunha a viajar ao país norte-americano para realizar um tratamento contra o câncer.

Segundo informaram à Agência Efe fontes da frente opositora Unidade Popular, liderada pela ex-presidente e senadora Cristina Kirchner, Timerman foi avisado na noite de ontem, antes de embarcar de Buenos Aires para Nova York, que o Departamento de Estado dos EUA tinha decidido revogar seu visto.

Semanas atrás, a Justiça argentina determinou que o ex-chanceler poderia viajar aos EUA, mediante aviso e autorização prévia, para se submeter a um tratamento contra o câncer, que está em estágio avançado.

"Os Estados Unidos, como qualquer país do mundo, têm suas regras e não permitem a entrada (de Timerman) ao constatar que o mesmo está submetido ao regime de prisão domiciliar", afirmaram as fontes, que insistiram que "a única solução possível" é que o juiz encarregado do caso aceite suspender essa detenção preventiva.

Em dezembro do ano passado, a Justiça argentina emitiu um pedido de prisão contra Timerman, neste caso domiciliar devido a seu estado de saúde, e também contra Cristina pelo suposto acobertamento, através da assinatura de um memorando de entendimento com o Irã, dos cidadãos deste país acusados do ataque contra a associação israelita Amia em 1994.

Cristina, no entanto, goza de imunidade parlamentar devido ao cargo de senadora, por isso, o juiz responsável pelo caso pediu ao Senado que retire os privilégios que a protegem.

Até o momento, o Senado não decidiu se atenderá à solicitação da Justiça, pela qual será necessária a aprovação de dois terços dos legisladores.

O caso foi aberto após a denúncia que o promotor Alberto Nisman realizou em janeiro de 2015 contra a então presidente, Timerman e outros colaboradores do governo kirchnerista, quatro dias antes de ser encontrado morto em seu apartamento em condições que ainda estão sendo investigadas.

O promotor assegurava que o memorando de entendimento, que oficialmente buscava revelar a verdade sobre o atentado, pretendia na realidade acobertar os acusados iranianos com o objetivo de melhorar a relação comercial bilateral, algo que a ex-governante e sua equipe sempre negaram.

Entre os imputados estão o ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani e o ex-chanceler Ali Akbar Velayati.

O atentado contra a Amia, que a comunidade judaica atribui ao Irã e ao grupo xiita Hezbollah, foi o segundo contra judeus na Argentina, depois que 29 pessoas morreram em 1992 na explosão de uma bomba em frente à embaixada israelense, um crime que também não foi esclarecido.

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