Exército birmanês participou da morte de 10 rohingyas achados em vala comum

Bangcoc, 10 jan (EFE).- O exercito de Mianmar participou da morte de dez rohingyas encontrados em uma vala comum em Rakhine, estado do oeste do país e do qual passaram a Bangladesh para fugir da violência cerca de 650.000 membros dessa minoria majoritariamente muçulmana, anunciaram nesta quarta-feira fontes oficiais.

Soldados e moradores da minoria budista mataram esses dez rohingyas porque acreditavam que pertenciam ao rebelde Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA), segundo o comunicado divulgado pela comissão militar que investigou a vala comum.

A comissão indicou que os soldados e civis implicados nos crimes confessaram e que serão julgados de acordo com a lei.

As mortes ocorreram em 2 de setembro do ano passado na aldeia Inn Din, situada 50 quilômetros ao norte de Sittwe, capital do estado, e onde foram denunciadas as mortes de civis nas operações militares contra insurgentes.

Semanas antes, em 25 de agosto, centenas de militantes do ARSA atacaram 30 postos militares e policiais de Rakhine (antigo Arakan) e a resposta do exército birmanês desencadeou uma onda de violência.

Cerca de 650.000 rohingyas cruzaram a fronteira e buscaram refúgio em Bangladesh nas semanas e meses seguintes.

O Unicef expressou nesta terça-feira em Genebra sua inquietação pelo paradeiro de milhares de crianças rohingyas em Rakhine e denunciou a falta de acesso à região, onde não há distribuição de água nem de comida e nenhum centro sanitário em funcionamento.

O alto comissionado da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, um dos maiores críticos de Mianmar neste assunto, chegou a dizer que a atuação do exército em Rakhine contra os rohingyas parece tirada de um manual de limpeza étnica

O alto comissionado não descartou que um tribunal internacional considere no futuro os atos contra estas pessoas como genocídio.

Mianmar não considera os rohingyas uma etnia nacional, lhes trata em sua maioria como emigrantes bengaleses e lhes impõe numerosas restrições, inclusive a liberdade de deslocamento. Bangladesh, por sua vez, lhes considera birmaneses.

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