Irã afirma que Trump não sabe qual decisão tomar sobre pacto nuclear

Moscou, 10 jan (EFE).- O ministro de Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, disse nesta quarta-feira em Moscou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não sabe qual decisão tomar sobre a permanência do seu país no pacto nuclear com o Irã.

"Não me surpreenderia que nem o próprio Trump saiba que decisão vai tomar, da mesma forma que os europeus não sabem", disse Zarif em sua chegada a Moscou, onde se reuniu com seu homólogo russo, Sergei Lavrov.

O titular da diplomacia iraniana afirmou que é "impossível prever" o rumo da Casa Branca, perante o iminente anúncio que o governo americano deve fazer sobre o futuro do JCPOA (sigla em inglês que corresponde ao nome técnico do pacto nuclear) e o risco de que opte por rompê-lo.

"Não está claro, porque é impossível prever a política de Trump. Levou sua política a tal extremo que mesmo os parceiros (dos EUA) desconfiam dela", declarou.

Ao reunir-se pouco depois com Lavrov, Zarif lembrou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) "salientou em múltiplas ocasiões o compromisso do Irã com o JCPOA".

"Mas, lamentavelmente, outro sócio do JCPOA (assinado em julho de 2015 entre o Irã e o Grupo 5+1) não somente não cumpriu com a totalidade dos seus compromissos, como também promove uma política destrutiva" em relação ao acordo, acrescentou Zarif, em referência aos EUA.

Por sua parte, Lavrov defendeu a necessidade de manter vivo o acordo nuclear com o Irã "para reforçar a estabilidade na região e resolver problemas da não-proliferação de armas nucleares".

Zarif viajará de Moscou a Bruxelas para falar do acordo nuclear com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e com os seus homólogos de França, Reino Unido e Alemanha.

Trump deve decidir ainda este mês se renova a suspensão de sanções ao Irã prevista no pacto nuclear, depois de ameaçar abandoná-lo em outubro do ano passado se este não fosse modificado.

O acordo, assinado entre o Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), limita e supervisiona o programa atômico de Teerã em troca da suspensão das sanções internacionais.

O Irã insistiu em numerosas ocasiões que não será o primeiro a violar o acordo nuclear, mas que só permanecerá no mesmo se obtiver benefícios, e também advertiu que, se o pacto for rompido, pode retomar rapidamente seu programa nuclear.

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