Joe Arpaio, "o xerife mais duro do oeste", quer ajudar Trump no Senado

María León.

Tucson (EUA), 10 jan (EFE).- Aos 85 anos e quase seis meses após ter recebido um perdão presidencial que o livrou de uma possível pena de prisão, o ex-xerife do Arizona Joe Arpaio quer chegar ao Senado para apoiar Donald Trump em Washington.

"Meu propósito será apoiar o presidente Trump em sua agenda e apoiar suas políticas e estratégias", disse em uma entrevista com a Agência Efe Arpaio, que foi xerife do condado fronteiriço de Maricopa por mais de duas décadas, sempre em meio a polêmicas e processos legais por sua postura dura com os imigrantes ilegais.

Conhecido como "o xerife mais duro do oeste", Arpaio surpreendeu ao anunciar nesta terça-feira sua candidatura ao Senado pelo Twitter.

Segundo disse na entrevista, até o momento não falou com Trump sobre sua intenção de ocupar a cadeira do senador pelo Arizona Jeff Flake, republicano muito crítico ao presidente e que recentemente anunciou que não tentará se reeleger nas eleições de novembro.

Arpaio, que nas eleições de 2016 para renovar o seu cargo de xerife de Maricopa foi derrotado por Paul Penzone, pretende impulsionar em Washington uma plataforma contra a imigração ilegal e o tráfico de drogas.

Quando perguntado sobre os jovens amparados pelo programa de Ação Diferida (DACA), que foi cancelado pelo governo, Arpaio disse que devem receber uma permissão de residência permanente nos Estados Unidos, mas considera que primeiro deverão ser deportados e devolvidos aos seus países de origem.

"A questão do DACA e dar a eles algum tipo de anistia é controverso, acredito que deveriam retornar aos seus países de origem, poderiam se tornar 'embaixadores' dos EUA nos seus países de origem e depois poderão retornar com uma permissão especial, de forma legal", disse o ex-xerife à Efe.

Durante anos, Arpaio chamou atenção por sua postura dura contra a imigração ilegal e suas surpreendentes operações policiais nas ruas e locais de trabalho para deter todos que não tivessem documentos.

Em 2013, ele e seu escritório foram julgados e declarados culpados de práticas racistas contra motoristas hispânicos como parte de um processo aberto pela União Americana de Liberdades Civis (UCLA).

Além disso, um juiz federal o declarou culpado no ano passado de desacato às ordens da corte, porque, apesar de tudo, continuou detendo imigrantes sem documentos durante suas operações.

No entanto, o presidente Trump lhe concedeu um perdão em agosto deste ano e o salvou assim de uma possível pena de até seis meses de prisão.

Arpaio se mantém firme às suas ideias sobre imigração ilegal, que coincidem com as do presidente.

"Não gosto das 'cidades santuário', acredito que todos os departamentos policiais deveriam cooperar com o Governo Federal, tal como eu fiz quando fui xerife. Se as pessoas violam a lei, devem pagar por isso, se as pessoas vivem aqui de maneira ilegal, devem voltar aos seus países e tentar retornar de forma legal", afirmou.

É um "equívoco" deixar livre pessoas que cometeram crimes, ressaltou.

Outra de suas metas, caso chegue ao Senado, será lutar contra os cartéis do narcotráfico que usam o estado do Arizona para introduzir seus carregamentos de droga nos EUA.

O ex-xerife foi um dos primeiros a dar apoio a Trump quando anunciou sua candidatura à Presidência e agora - aponta - quer ajudá-lo a "fazer os EUA grandes outra vez".

Arpaio afirmou que tem o apoio de diversos grupos no Arizona, entre eles os hispânicos. "Os hispânicos legais", esclarece.

O anúncio da candidatura ao Senado de Arpaio foi um duro golpe para várias organizações e grupos que lutam a favor dos imigrantes, que afirmam que novamente irão à luta nas urnas contra o "xerife mais duro do oeste".

Arpaio terá que derrotar nas primárias, marcadas para o mês de agosto, os outros pré-candidatos do partido republicano, entre eles provavelmente a congressista Martha McSally, que deve se postular oficialmente na próxima sexta-feira.

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