Macron pede que UE tenha mais unidade e ambição para tratar com China e EUA

Rafael Cañas.

Pequim, 10 jan (EFE).- O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu nesta quarta-feira à União Europeia (UE) que mostre mais unidade e ambição para poder tratar de igual para igual com gigantes como a China e os Estados Unidos e defender seus interesses estratégicos.

"É preciso uma tomada de consciência. É preciso perguntar aos europeus se acreditam na Europa ou não, se acreditam na soberania europeia ou não", afirmou Macron na entrevista coletiva com a qual encerrou sua primeira visita oficial à China, na qual assumiu também o papel de líder do projeto comunitário.

O chefe de Estado francês acrescentou que é necessário que os Estados-membros da UE decidam se querem ser "uma autêntica potência comercial", se querem defender seus interesses estratégicos "de igual para igual perante os chineses e os americanos".

Macron se ofereceu para articular "nos próximos meses" junto com a chanceler alemã, Angela Merkel, uma posição comum da UE frente à China em todos os setores da relação bilateral.

Segundo o presidente francês, a Europa esteve "muito dividida" perante a China, com países "titubeantes" e outros que abriram setores estratégicos aos investimentos de Pequim devido à grave crise económica.

"A China não pode respeitar um continente onde uma parte dos seus países abre suas portas completamente e é fácil comprar infraestruturas essenciais", lamentou.

Por isso, se a Europa defender seus interesses-chave, será positivo para os europeus, mas também para o seu diálogo com Pequim, ponderou Macron.

Um exemplo é a iniciativa chinesa de diálogo e cooperação com 16 países do leste e do centro da Europa, conhecida como "16+1", que gerou dúvidas e reticências nas instituições comunitárias e em alguns membros mais veteranos da UE.

"Há uma diplomacia (chinesa) paralela e regras de comércio que são diferentes em função das regiões. Há uma estratégia país por país da China, e há divergência de interesses em certos países (comunitários)", assegurou.

O presidente francês também antecipou que pretende apresentar todas estas questões durante a reunião de líderes dos sete países mediterrânicos da UE que acontece hoje em Roma.

Macron empregou este ponto de vista para pedir uma implicação da UE no enorme projeto chinês das Novas Rotas da Seda, que procura construir infraestruturas de comunicações com o resto da Ásia, da África, da Europa e da América Latina.

Nesse sentido, o presidente francês considerou "legítimo" que haja países da UE com "inquietações" sobre esse projeto, mas advertiu que seria "um erro estratégico" não participar, desde que se promova o desenvolvimento dos povos, a educação e o fomento das pequenas e médias empresas.

"Temos um papel útil e indispensável a exercer neste contexto", salientou.

Em questões mais concretas, Macron adiantou que a China confirmou um pedido de 184 aviões de passageiros Airbus A320Neo, que se concretizará em breve, enquanto se trabalha para que o gigante asiático compre também aparelhos de grande capacidade e longo alcance A350 e A380.

O último evento da visita de três dias de Macron aconteceu na Academia de Ciências Espaciais, uma instituição militar na qual pôde conhecer o ambicioso programa espacial chinês, que planeja ter uma estação espacial própria completamente construída para 2022.

Macron reconheceu os "impressionantes" avanços chineses, mas ressaltou que os europeus têm capacidades do mais alto nível e não devem cair no "catastrofismo" de pensar que EUA e China estão mais avançados.

"Temos tudo para triunfar, mas não podemos adormecer", concluiu. EFE

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(foto)

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