Milícia curdo-síria divulga vídeo de interrogatório a membro francês do EI

Beirute, 10 jan (EFE).- A milícia curdo-síria Unidades de Proteção do Popular (YPG) publicou nesta quarta-feira um vídeo do interrogatório ao membro do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) Thomas Barnouin, um dos jihadistas franceses mais procurados e detidos na Síria.

Na gravação, de cerca de nove minutos, Barnouin fala em inglês e aparece com barba e vestido com uma calça marrom e uma blusa preta, e responde às perguntas feitas por um integrante das YPG, que não aparece nas imagens.

"Lutei com o 'Daesh' - acrônimo árabe do EI - durante quatro anos, mas depois entendi que é criminoso. Assim que tentei deixar o grupo, fui detido" pelas YPG, diz Barnouin no começo da filmagem.

Segundo as YPG, o jihadista participou sobre o planejamento e execução de alguns atentados na França, como os de 2015 de Paris, no qual morreram 130 pessoas, 89 delas na casa de shows Bataclan.

No vídeo, Barnouin oferece dados de sua vida. Fala que nasceu em uma família cristã, se converteu ao Islã em 1999, estudou história e língua árabe na universidade, que é casado e tem quatro filhos.

Entre 2003 e 2006 esteve na Arábia Saudita, onde afirma que foi convencido por alguns predicadores da ideologia jihadista.

Após passar um tempo na prisão na França, "alguns muçulmanos vieram à minha casa e me disseram que estavam estabelecendo um Estado Islâmico na Síria, ou seja, o 'Daesh', e que tinha que ir com eles para fazer a Jihad. Me convenceram e vim à Síria em 2014".

Neste ponto, assegura que foi "muito fácil" chegar à Síria, já que tomou um avião desde a Espanha até a Turquia, concretamente para Istambul, e desde ali foi para Antáquia, desde onde um contrabandista o ajudou a cruzar a fronteira para a província síria de Latakia, no noroeste.

Ali permaneceu entre fevereiro de 2013 até março de 2014, quando um "emir" do EI o pediu que fosse embora à Raqqa, no nordeste da Síria, mas que fizesse isso retornando à Turquia e atravessando desde ali para Síria.

No final de sua narração, Barnouin revela que foi preso pelo próprio EI em agosto por se opor a "sua metodologia".

Durante a detenção, decidiu com outros jihadistas franceses "sair do Daesh ", mas quando conseguiu escapar, foi capturado pelas YPG.

Na sua opinião, "o EI é uma criação de serviços de Inteligência, não é uma organização islâmica, (que) foi estabelecida por algum antigo baazista (em alusão ao Baaz, partido único nas ditaduras da Síria e do Iraque) ou alguns serviços de Inteligência".

Em um comunicado que acompanha o vídeo, as YPG afirmam que Barnouin, de 36 anos, foi capturado junto com outros cinco jihadistas franceses e o contrabandista que os guiava quando tentavam cruzar a fronteira para a Turquia.

No final de dezembro, meios de comunicação franceses informaram sobre a detenção de Barnouin, junto com outros extremistas gauleses, em 17 desse mês pelas forças curdas na Síria.

Há dois dias, a milícia curda divulgou dois vídeos da jihadista francesa Emilie König, capturada pelas YPG na Síria, nos quais nega que tenha sido torturada por seus guardiães.

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