Protestos e saques noturnos terminam com mais de 200 detidos na Tunísia

Túnis, 10 jan (EFE).- Pelo menos 200 pessoas foram detidas e cerca de 50 policiais ficaram feridos ontem à noite na Tunísia durante os protestos contra os cortes e a alta dos preços que se sucedem desde que há dez dias entrou em vigor o novo orçamento do Estado marcado pela austeridade.

Fontes do Ministério de Interior afirmaram nesta quarta-feira à Agência Efe que a maior parte dos protestos aconteceu em bairros da capital Túnis, como Djebel Lahmer, e distritos da periferia como Ben Arous.

Neste último, um grupo de pessoas assaltou e saqueou um supermercado de uma conhecida rede internacional francesa sem precisar enfrentar a resistência das forças de segurança.

Em um vídeo que circula através das redes sociais é possível observar dezenas de cidadãos saindo da loja com todo tipo de produtos, desde lotes de alimentos a aparelhos eletrônicos.

Um empresário local confirmou à Efe que supermercados e grandes estabelecimentos comerciais receberam uma recomendação das autoridades para que adiantem em duas horas o horário de fechamento das suas portas.

"No total, 49 policiais ficaram feridos ontem à noite e 206 pessoas que criaram problemas foram detidas ao longo do país", detalhou hoje a uma rádio local o porta-voz do Ministério de Interior, Khalifa Chibani.

De acordo com o porta-voz, unidades antidistúrbios e outras forças policiais se posicionaram ontem à noite na capital e em diversas áreas do país, inclusive na cidade de Tebourna (situada a 40 quilômetros ao oeste da capital), onde na segunda-feira morreu um manifestante.

Apesar das imagens que circulam pela internet e os depoimentos de testemunhas, a polícia insiste que não foi responsável pela morte e que o homem, de 55 anos, morreu em consequência de uma crise respiratória que poderia ter sido causada por inalação de gás lacrimogêneo.

Os ativistas, por sua parte, asseguram que o homem foi atropelado por uma viatura.

O incidente fez com que dezenas de jovens se concentrassem na terça-feira em frente à sede do Ministério de Interior aos gritos de "Polícia assassina, Ministério terrorista" e "Não temos medo, as ruas voltarão a ferver".

Enfrentamentos similares aconteceram também em cidades do sul do país, como Gafsa, Kasserine, fronteiriça com a Argélia e feudo jihadista, e Sidi Bou Sid, origem da revolução que em 2011 acabou com a ditadura de Zine El Abidine Ben Ali.

O ex-presidente tunisiano fugiu para a Arábia Saudita e, 14 de janeiro de 2011, após um mês de protestos cidadãos, que representaram, além disso, o início das agora asfixiadas "primaveras árabes".

Para este domingo, sétimo aniversário da revolta, a sociedade civil e os partidos da oposição convocaram uma grande manifestação para denunciar tanto a política de cortes, forçada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), como a paulatina redução dos direitos civis conquistados após a revolução.

O FMI concedeu em 2017 um crédito ao governo tunisiano no valor de 2,5 bilhões de euros em troca de políticas de austeridade, reformas estruturais no governo e cortes nas ajudas do Estado.

Desde então, o Executivo elevou os impostos em diversos setores e empreendeu uma política de demissões e reformas na função pública.

Ontem, o primeiro-ministro, Youssef Chahed, qualificou de "compreensíveis" os protestos, mas pediu calma, "porque a violência não é aceitável", enquanto a oposição decidiu intensificar as mobilizações até que o orçamento do Estado seja revisto.

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