Tribunal russo acusa "maníaco de Angarsk" de 60 novos homicídios

Moscou, 10 jan (EFE).- O Tribunal da região siberiana de Irkutsk acusou nesta quarta-feira formalmente de 60 novos homicídios Mikhail Popkov, que já cumpre pena de prisão perpétua por outros 22 assassinatos e que se for considerado culpado, se transformará no maior assassino da história deste país em pelo menos um século.

Na próxima segunda-feira será retomado o julgamento de Popkov, apelidado pela imprensa como o "Maníaco de Angarsk" pelo nome da cidade na qual perpetrou a maior parte de seus crimes.

Em outro julgamento realizado em 2015, demonstrou que esse assassino - policial em atividade até 1998 - estuprou e matou pelo menos 22 mulheres entre 1994 e 2000 em Angarsk, uma cidade de pouco mais de 230 mil habitantes na região de Irkutsk.

Durante aquele processo, Popkov explicou que percorria de noite as ruas da cidade em um carro - muitas vezes o oficial da polícia - oferecia a mulheres que encontrava na rua levá-las para casa e depois só "castigava" as que aceitavam tomar algo com ele.

Após ser condenado e preso, disse perante seus companheiros de cela "ter matado mais gente do que Andrei Chikatilo", considerado até agora o maior assassino em série na história da Rússia e da União Soviética, com 53 homicídios provados pela Justiça.

Os corpos de quase todas as vítimas, com idades compreendidas entre 17 e 38 anos, foram achados desfigurados e com sinais de estupro em cemitérios, valetas e bosques próximos a Angarsk.

Ainda que pelo menos 9 mulheres tenham sido assassinadas com um machado, Popkov, que atualmente tem 53 anos, chegou a utilizar todos os tipos de objetos para tirar a vida de suas vítimas, incluídas facas, chaves de fenda, garras, tacos de beisebol e de bilhar, entre outros.

Um perfil psicológico vazado à imprensa russa muito antes de o assassinado ter sido encontrado acertou em muitos aspectos: a polícia buscava um homem de entre 30 e 35 anos (na época dos assassinatos), residente em Angarsk, que levava suas vítimas em um veículo oficial e que poderia trabalhar em um cemitério.

Anos depois foi provado que Popkov costumava "sair à caça" ao volante do veículo policial, pelo menos enquanto não foi demitido, e que em seu tempo livre ganhava um extra como coveiro, ofício que já tinha exercido durante a adolescência no cemitério em que também seu pai trabalhava.

Ainda que sua mulher, sua filha e seus amigos tenham o definido como "um homem pacífico, tranquilo e amável, que não faria dano nem a uma mosca", a comissão médica que o examinou quando era policial em atividade observou "aspectos psicopáticos" em sua personalidade, mas inexplicavelmente o declarou apto para servir nas forças de segurança.

O "maníaco de Angarsk" gostava de cozinhar, esquiar em companhia de sua mulher e filha e fazer bricolagem em casa, segundo os testemunhos de amigos que frequentavam a casa dos Popkov.

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