Vaticano intervém em organização católica peruana

Cidade do Vaticano, 10 jan (EFE).- O Vaticano dispôs nesta quarta-feira a intervenção na organização católica Sodalício de Vida Cristã, no Peru, após as graves informações recolhidas e as últimas acusações contra o seu fundador, Luis Fernando Figari.

O escritório de imprensa do Vaticano informou hoje que a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica interveio na organização católica Sodalitium Christianae Vitae, mais conhecida como Sodalício de Vida Cristã, e que o bispo colombiano Noel Antonio Londoño Buitrago foi nomeado como Comissário Apostólico (interventor).

Esta decisão foi comunicada depois que o Ministério Público peruano pediu a prisão preventiva de Figari, que está em Roma, e de outros ex-integrantes dessa organização, pelos supostos crimes de associação criminosa, sequestro e lesões psicológicas graves relacionadas com um caso de abusos sexuais.

"O Santo Padre Francisco acompanhou com preocupação todas as informações que, há vários anos, chegaram à Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica sobre a situação do Sodalício de Vida Cristã", diz o comunicado.

Segundo a nota, Francisco "se mostrou especialmente atento à notável gravidade das informações sobre o regime interno, a formação e a gestão econômico-financeira, motivo pelo qual pediu com insistência ao Dicastério (da Vida Consagrada) uma atenção particular".

À decisão, afirmou o Vaticano, "se somam as graves medidas adotadas ultimamente pela autoridade judicial peruana a respeito de Luis Fernando Figari".

"Após uma profunda análise de toda a documentação, o Dicastério promulgou o Decreto de Intervenção", acrescentou o Vaticano na nota.

Um relatório encarregado pelo Sodalício e elaborado por especialistas estrangeiros concluiu que pelo menos 36 pessoas, entre elas 19 menores de idade, foram supostamente vítimas de abusos sexuais entre 1975 e 2002 por parte dos líderes da organização, entre eles Figari, mas o Ministério Público peruano arquivou as denúncias por abuso sexual, pois as mesmas já prescreveram.

Figari reside atualmente em Roma, em um local sigiloso, e o Vaticano indicou no ano passado que ele não poderia retornar ao Peru, exceto por motivos muito graves.

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