Zeman, um popular líder que nada contra a corrente do Ocidente

Praga, 10 jan (EFE).- O atual presidente da República Tcheca, Milos Zeman, favorito para ganhar as eleições desta semana, é um político controverso, mas muito popular no seu país, que costuma nadar contra a corrente de muitos dos seus colegas ocidentais, sobretudo pela sua aversão aberta ao islã e ao multiculturalismo.

O ex-primeiro-ministro e ex-líder do Partido Social-Democrata (CSSD) desponta como vencedor no primeiro turno dos pleitos presidenciais, que acontecem nesta sexta-feira e sábado por sufrágio direto, embora seja muito provável a realização de um segundo turno para revalidar o cargo que ocupou durante os últimos cinco anos.

O veterano político, de 73 anos e economista de formação, dissipou apenas no último momento as dúvidas sobre se tentaria a reeleição, já que sofre de diabetes e de uma neuropatia nas pernas.

Durante seus primeiros cinco anos no Castelo de Praga, sede da presidência tcheca, Zeman manteve altos índices de popularidade, que chegaram em certos momentos até 70%, embora as pesquisas lhe mostrem agora com apenas 32% das intenções de voto.

Os analistas assinalam que sua popularidade se deve ao fato de que cultiva a imagem de um líder próximo ao povo, que usa sua mesma linguagem, em algumas ocasiões considerada grosseira.

O seu primeiro mandato coincidiu com o do Executivo do social-democrata Bohuslav Sobotka, com quem Zeman nunca ocultou suas desavenças.

Durante a onda migratória de 2015 e 2016, Sobotka foi inicialmente partidário de uma política de acolhida de refugiados do Oriente Médio, algo que Zeman rejeitou desde o primeiro momento.

O presidente tcheco chegou a dizer que integrar os muçulmanos na Europa é "virtualmente impossível" e que, para manter os islamitas longe das fronteiras, era necessário que o Ocidente unisse suas forças com o presidente sírio, Bashar al Assad.

Por outra parte, Zeman demonstra abertamente suas simpatias com Moscou, quando boa parte de Ocidente se mantém à distância do presidente russo, Vladimir Putin, devido à anexação da Crimeia em 2014, que o líder tcheco justificou como algo "inevitável".

Ao mesmo tempo, Zeman se mostra abertamente favorável a Israel e à decisão do governo dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital desse país.

Na década de 1960, Zeman militou no Partido Comunista da então Tchecoslováquia, do qual foi expulso por criticar a invasão soviética de 1968, que acabou com a tentativa aberturista da Primavera de Praga.

A partir daí se transformou em uma voz incômoda para o regime totalitário, razão pela qual perdeu várias vezes o emprego, e só pôde exercer sua vocação de analista econômico com a chegada da democracia em 1990.

Na época estava filiado ao Fórum Cívico, um movimento de dissidentes e intelectuais em torno de Vaclav Havel, o primeiro presidente da era pós-comunista do país.

Zeman fundou pouco depois, junto com alguns correligionários do exílio, o Partido Social-Democrata, que se caracterizou por suas teses anticomunistas.

Em 1998 ganhou as eleições gerais para liderar durante os quatro anos seguintes um governo em minoria.

Em 2001 deixou a presidência do CSSD e em 2002, após deixar o cargo de primeiro-ministro, foi eleito candidato do seu partido para a eleição presidencial em 2003, que acabou perdendo contra o conservador e eurocético Vlaclav Klaus, eleito pelos deputados da Câmara e do Senado.

Após uma década afastado da política, tempo no qual escreveu suas memórias, Zeman se candidatou e ganhou as primeiras eleições diretas à presidência tcheca.

O atual presidente tcheco está em seu segundo casamento e tem um filho de cada uma das suas duas uniões.

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