Protestos paralisam cidade paquistanesa após morte de menina de 7 anos

Islamabad, 11 jan (EFE).- A cidade de Kasur, no leste do Paquistão, está paralisada nesta quinta-feira, com mercados fechados e estradas bloqueadas por centenas de pessoas que protestam pelo segundo dia por conta do estupro e assassinato de uma menina de 7 anos, um dia depois que dois manifestantes morreram em enfrentamentos com a polícia.

Um porta-voz da polícia de Kasur, Mohamed Usman, indicou à Agência Efe que na manhã desta quinta-feira ocorreram alguns atos de vandalismo, como a destruição de vitrines de lojas, em protesto pela suposta inação das forças policiais perante os assassinatos de pessoas.

"A situação é crítica, mas está sob controle", disse Usman, enquanto o principal protesto se mantém diante do maior hospital da cidade.

Os protestos começaram ontem, um dia depois de o corpo da menina aparecer no lixo, após ter desaparecido na quinta-feira da semana passada quando estava sob os cuidados de um tio enquanto seus pais viajavam para a Arábia Saudita em uma peregrinação religiosa.

A aparição do corpo da criança, que segundo exame preliminares sofreu abusos sexuais antes de morrer, suscitou a ira dos habitantes de Kasur, uma cidade que viveu vários episódios e escândalos de abusos a menores nos últimos anos, com até sete casos recentes.

Os protestos, nos quais alguns manifestantes pediam a execução pública do assassino da menina, gerou fortes distúrbios na cidade com choques com a polícia.

Outro porta-voz policial, Khalid Iqbal, informou à Agência Efe que foram apresentadas denúncias contra três policiais pela morte a tiros ontem de dois manifestantes que faziam parte de um grupo que supostamente tentou atacar escritórios governamentais da cidade, ao qual a polícia respondeu com disparos.

Iqbal apontou que segue a busca pelo assassino da menina, mas que até agora não houve sucesso.

Shehbaz Sharif, chefe de Governo da província do Punyab, onde Kasur está localizada, visitou hoje os pais da menina e lhes prometeu que os culpados "receberão o maior castigo", informou a administração provincial em sua conta do Twitter.

Em agosto de 2015, foi revelado um escândalo de pedofilia em que 19 menores foram gravados vídeos e fotografias por uma rede formada por 17 pessoas no povoado de Ganda Singh Wala, na área de Kasur.

Em abril de 2016, um tribunal antiterrorista condenou à prisão perpetua a dois acusados por esse caso.

Após esse escândalo, em março de 2016, o Paquistão converteu em delito os abusos sexuais a menores e pornografia infância, crimes castigados com penas de até sete anos de prisão e que antes não tinham punição.

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