Autoridades da Tunísia detêm pelo menos 150 pessoas durante protestos

Túnis, 12 jan (EFE).- Pelo menos 150 pessoas, entre elas vários líderes políticos municipais e coordenadores dos movimentos sociais, foram detidas nas últimas horas pelas autoridades tunisianas que repelem os protestos contra as políticas de austeridade do Governo.

Com estas últimas detenções, já se aproxima de 800 o número de pessoas detidas desde que segunda-feira as mobilizações se tornaram virulentas e se estenderam por todo o país em resposta à morte, em uma incidente com a polícia, de um manifestante na cidade de Tebourba, cerca de 40 quilômetros ao oeste da capital.

Os distúrbios e enfrentamentos noturnos que ocorrem desde então voltaram a acontecer ontem à noite, ainda que com menor intensidade devido, sobretudo, ao temporal que desde quinta-feira castiga o país.

Mas também a maior presença das forças de Segurança e dos serviços secretos internos nas ruas, que cresce a cada dia de maneira exponencial.

"Os protestos diminuíram e não houve danos, mas mesmo assim a polícia deteve ontem 150 pessoas vinculadas aos distúrbios dos dias passados, e agora já são 778 os detidos", explicou hoje o porta-voz do Ministério de Interior, Khelifa Chibani.

Segundo o responsável, que não ofereceu detalhes das detenções, entre os detidos há "16 islamitas extremistas".

Mas a polícia começou também a deter jornalistas, ativistas e políticos - entre eles três membros da Frente Popular, principal partido da oposição progressista - no que parece uma campanha de intimidação que hoje foi denunciada por organizações como Anistia Internacional.

"Os atos de vandalismo devem ser repelidos pelas forças de segurança, mas é preciso fazer de forma proporcional ao delito. Os distúrbios nas ruas não dão sinal verde para que a polícia aplique uma força ilegal ou excessiva", disse.

Os protestos sociais ocorrem na Tunísia há mais de um ano, mas ficaram especialmente violentos desde que no início do ano entraram em vigor os novos Orçamentos do Estado, ajustados à demanda de austeridade exigida pelo FMI em troca do crédito de 2,5 bilhões de euros concedidos ao Governo.

Para domingo está convocada uma grande manifestação que coincidirá com o sétimo aniversário da revolução "de Jasmim", que acabou com a longa ditadura policial do Zine El Abidini Ben Ali.

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