Magistrado que pedia a estagiárias para usar minissaia é destituído na Itália

Roma 12 jan (EFE).- O Conselho de Estado da Itália destituiu nesta sexta-feira o magistrado Francesco Bellomo, acusado de tratar de forma sexista as estagiárias da escola de formação jurídica da qual é diretor, às quais pedia para usar minissaias e se maquiar.

O órgão máximo consultivo em matéria jurídica do governo italiano decidiu hoje expulsar Bellomo do Conselho de Presidência da Justiça Administrativa por 13 votos a favor e uma abstenção, segundo a imprensa local.

Para se tornar efetiva, a decisão do Conselho deve ser ratificada pelo primeiro-ministro, Paolo Gentiloni, e pelo presidente da República, Sergio Mattarella.

Bellomo já anunciou que recorrerá da decisão no Tribunal Administrativo Regional da região de Lazio, de acordo com as mesmas fontes.

O magistrado, de 47 anos, foi acusado de exercer pressões e de assediar as estudantes e bolsistas que frequentavam escola na qual formava futuros magistrados.

Bellomo pedia às candidatas a uma bolsa de estudos que assinassem um contrato em que se comprometiam a escrever artigos para a revista do centro e a participação em convênios, mas também deviam assumir um código de vestimenta para "promover a imagem" da academia.

As estudantes deviam calçar sapatos de salto alto, ir sempre maquiadas, com saias acima do joelho e inclusive tinham que obedecer a uma determinação quanto a altura das meias, diretrizes que foram denunciadas pelas alunas.

Além destas condições, uma cláusula estipulava que a bolsa de estudos deveria ser cancelada se a estudante se casasse, algo que só era permitido se Bellomo autorizasse, depois devia avaliar o quociente intelectual do marido da aluna.

Por sua vez, o Conselho de Estado disse que o código não respeita "a liberdade e a dignidade das pessoas" e que "viola o prestígio da magistratura".

O caso foi revelado pelo pai de uma jovem que escreveu uma carta ao Conselho de Estado há um ano para denunciar que as ameaças do magistrado afetaram física e psicologicamente a estudante, com a qual chegou a manter uma relação sentimental.

Nas últimas semanas, várias estudantes narraram sua experiência no centro de formação, como Rosa Calvi, de 28 anos, que afirmou que Bellomo a perguntou sobre sua vida sentimental e a pediu que emagrecesse cinco quilos, entre outras coisas.

Além da justiça administrativa, a ordinária também está investigando estes supostos fatos, assim como as Procuradorias de Piacenza, Bari e Milão indagam já nos mesmos.

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