ONGs denunciam intimidação e detenção de jornalistas e ativistas na Tunísia

Túnis, 12 jan (EFE).- Organizações de defesa dos direitos humanos e da sociedade civil denunciaram assédio, pressões das forças de segurança tunisianas e detenções indiscriminadas de jornalistas e ativistas e pediram respeito aos direitos dos cidadãos a protestar de maneira pacífica na Tunísia.

Responsáveis da Associação da Imprensa Estrangeira se queixaram que um de seus membros foi levado para delegacia para ser interrogado por sua presença em cidade de Tebourna, 40 quilômetros ao leste da capital, palco na noite de segunda-feira de protestos nos quais um civil morreu.

Testemunhas asseguram que Jomsi Al Yerfeni, de 55 anos, foi atropelado por um carro-patrulha, versão negada pela polícia, que apontou para uma crise respiratória fruto da inalação de gases como causa mais provável de sua morte.

O incidente suscitou uma onda de manifestações pacíficas, mas também de distúrbios e atos de vandalismo que até hoje supuseram a detenção de cerca de 800 pessoas, segundo números do Ministério de Interior.

Os jornalistas não só denunciam a intimidação e ilegalidade que supõe exigir a um informador que revele suas fontes e contatos, mas também a preocupação pela possibilidade de a polícia estar usando tecnologia de geolocalização para vigiar os passos dos correspondentes.

Na mesma linha, a organização de Defesa dos Direitos Humanos, Anistia Internacional (AI), emitiu nesta sexta-feira um comunicado no qual exige que as forças tunisianas "evitem o uso excessivo da força e ponham fim às táticas de intimidação aos que protestam de forma pacífica".

"Durante os últimos quatro dias de manifestações contra o governo, as forças de segurança usaram métodos cada vez mais duros para dispersar as concentrações e começaram a deter os que protestam", afirmou.

A AI lembrou que "as manifestações respondem a uma situação econômica verdadeiramente dura, e que o papel da polícia deve ser contribuir para acalmar a situação, ao invés de inflamá-la" e denunciou que pelo menos 15 coordenadores dos protestos foram detidos nos últimos dias.

Os protestos sociais ocorrem na Tunísia há mais de um ano, mas ficaram especialmente violentos desde que no início do ano entraram em vigor os novos Orçamentos do Estado, ajustados à demanda de austeridade exigida pelo FMI em troca do crédito de 2,5 bilhões de euros concedidos ao Governo.

Para domingo está convocada uma grande manifestação que coincidirá com o sétimo aniversário da revolução "de Jasmim", que acabou com a longa ditadura policial de Zine El Abidine Ben Ali.

O ex-presidente tunisiano fugiu em 14 de janeiro de 2011 à Arábia Saudita após um mês de manifestações e distúrbios em todo o país que também supuseram o estalo da "Primavera Árabe".

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