Polícia e manifestantes se enfrentam na Zâmbia por medidas contra o cólera

Lusaca, 12 jan (EFE).- Policiais e manifestantes se enfrentaram nesta sexta-feira em um bairro pobre da capital da Zâmbia, Lusaca, devido às medidas impostas pelas autoridades para evitar a propagação do cólera, como o fechamento de mercados ou o toque de recolher ao anoitecer, informaram fontes oficiais.

As forças de segurança dispersaram com gás lacrimogêneo as centenas de pessoas que protestavam na região devido à demolição, por razões sanitárias, de um mercado no bairro de Kanyama no qual trabalhavam muitos dos moradores.

Este mercado tinha sido construído recentemente depois que as autoridades obrigaram os milhares de vendedores que montavam postos no centro da cidade a levar suas instalações para Kanyama devido ao recente surto de cólera.

No entanto, nesta manhã a polícia chegou à região para demoli-lo, provocando os protestos.

Os manifestantes enfrentaram os agentes atirando pedras; além de acender fogueiras e provocar danos em lojas e veículos, razão pela qual finalmente as forças da ordem isolaram a área.

"A anarquia não será permitida. As forças de segurança devolverão a tranquilidade a Lusaca", declarou a porta-voz da polícia, Esther Mwaata Katongo.

O presidente da Zâmbia, Edgar Lungu, ordenou ao exército que limpasse todas as áreas públicas e mercados depois que mais de 60 pessoas, a maioria proveniente de Kanyama, morreram na cidade em decorrência da doença desde o final de 2017.

Alguns relatórios oficiais indicam que os resíduos gerados por estes mercados informais poderiam estar entre as principais causas do surto de cólera.

Ao longo de toda esta semana, a polícia e o exército estiveram trabalhando em Kanyama para fechar os poços nos quais os residentes conseguem água por considerá-los outra das fontes da doença, e o governo lhes esteve fornecendo água limpa desde então.

Na terça-feira passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) especificou que desde outubro de 2017 foram contabilizados 2.802 casos de cólera em todo o país, e anunciou que enviou à Zâmbia 2 milhões de dose de vacina oral contra a doença, para cuja administração foram treinados 500 trabalhadores de saúde no país.

O governo quer realizar duas rodadas de vacinação, o que cobriria um milhão de pessoas, a maior parte delas em Lusaca por ser a cidade mais povoada e que registrou mais casos (2.523, com 26 mortes até agora).

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