Protestos por comida e saques resultam em 4 mortes no oeste da Venezuela

Caracas, 12 ene (EFE).- O governador do estado Mérida, Ramón Guevara, que fica no oeste da Venezuela, informou à Agência Efe nesta sexta-feira que quatro pessoas morreram por disparos de arma de fogo entre quarta e quinta-feira após uma onda de protestos nesta entidade regional pela falta de alimentos, que também resultaram em saques.

Guevara contou que as mortes foram causadas por "desconhecidos armados que disparam de dentro de carros" e acrescentou que as vítimas não participavam "diretamente" de nenhum saque ou protesto.

"Há quatro mortes confirmadas, mais de 15 feridos, e aproximadamente 12 detidos", disse o governador opositor.

O dirigente do partido de oposição Ação Democrática (AD) explicou que os incidentes ocorreram em localidades próximas das divisas com os estados de Trujillo e Zulia, e detalhou que a primeira morte registrada foi de um vendedor ambulante de café que estava em uma avenida onde os manifestantes protestavam contra a falta de comida.

"Na quarta-feira e na noite de quinta aconteceram mais três mortes em condições parecidas", acrescentou o político, que também detalhou que a "maior parte" dos feridos foi atingida por disparos de arma de fogo, mas não deu detalhes sobre o estado de saúde dos mesmos.

Além disso, o governador indicou que, nas últimas 48 horas, "mais de 200 cabeças de gado foram abatidas" por vândalos que invadiram fazendas da região alegando fome, e cifrou em 12 o número de caminhões de alimentos que foram saqueados quando se dirigiam para "várias partes do país".

Guevara lembrou que a polícia do estado está sob intervenção por ordem do Executivo central desde outubro, quando ele assumiu o seu cargo de governador, e que o mesmo determinou que a segurança e a ordem pública ficariam sob responsabilidade da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e de outras corporações policiais e militares vinculadas ao governo central.

A Venezuela atravessa uma grave crise econômica e social marcada pela hiperinflação, pela escassez de comida, medicamentos e de outros produtos básicos e pelos atrasos na entrega dos alimentos subsidiados a milhões de venezuelanos que dependem dos mesmos.

Protestos espontâneos e saques diante da falta de acesso à comida e a outros produtos e serviços básicos foram vistos nas últimas semanas em várias cidades de todo o país.

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