Custos da visita do papa Francisco são questionados no Chile

Santiago (Chile), 13 jan (EFE).- Os custos da visita do papa Francisco ao Chile, de cerca de US$ 18 milhões, foram criticados por alguns setores da sociedade, que ressaltam que o país é laico.

Os valores da viagem do pontífice, que ficará no Chile entre segunda e quarta-feira, serão financiados pela Igreja Católica e pelo governo do país.

A Igreja Católica gastará cerca de US$ 6,5 milhões, um dinheiro destinado quase exclusivamente à organização das missas que serão celebradas por Francisco nas cidades de Santiago, Temuco e Iquique.

Para obter os recursos, a Conferência Episcopal do Chile lançou uma campanha solicitando a contribuição dos fiéis em todas as paróquias e templos do país. Empresas também fizeram doações.

O resto das despesas, de cerca de US$ 11,5 milhões, será bancado pelo governo. Os recursos serão usados principalmente em medidas de segurança e de logística.

A visita do pontífice, que receberá tratamento de chefe de Estado, requer a intervenção e a coordenação de dezenas de órgãos do governo. Mais de 4 mil funcionários públicos estão envolvidos no esquema, gerando a necessidade de aluguel de veículos para as equipes de segurança e logística, além do pagamento de diárias e horas-extras para aqueles que precisarem se deslocar pelo país.

Outro aspecto da visita papal que terá consequências econômicas é a declaração de feriados nas regiões que Francisco visitará.

A medida foi proposta pelo governo com o objetivo de facilitar a presença dos fiéis nas atividades públicas do papa. O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado sem muita dificuldade, mas parte dos parlamentares criticaram a proposta.

De acordo com o relatório do financeiro do projeto, o custo de um feriado na região metropolitana de Santiago é de US$ 10 milhões.

Um dos órgãos que criticou a medida foi a Câmara de Comércio de Santiago. O presidente da entidade, Manuel Melero, afirmou que o Chile parece estar na pré-história, apesar de ser um Estado laico desde o século XIX.

"Não podemos paralisar um país inteiro por causa da vinda de um líder eclesiástico", reclamou Melero.

A Sociedade dos Ateus do Chile, em comunicado, questionou os "privilégios políticos e econômicos" recebidos pelos católicos em relação aos fiéis de outras religiões no país.

A organização considera como "excessivo" o custo da visita do papa Francisco para os cofres públicos, destacando que o país tem necessidades econômicas mais urgentes do que a "evangelização católica da sociedade".

A Igreja Católica e os organizadores da visita defendem o orçamento e afirmam que os números envolvidos são adequados para um evento de grande porte.

O coordenador do governo para a visita do papa, Benito Baranda, destacou que, para estabelecer as despesas, as autoridades tomaram como base a viagem do papa à Colômbia em setembro do ano passado.

Segundo Baranda, para cada dólar investido na visita, algumas regiões obtiveram dez dólares de retorno.

"Do ponto de vista tributário, o Chile será um país muito recompensado. Recuperaremos os recursos investidos em quatro ou cinco dias", garantiu o representante do governo.

O sacerdote jesuíta Felipe Berríos, um dos religiosos mais influentes do país, avalia que as críticas aos custos da viagem do papa ocorrem pelo afastamento da Igreja da sociedade.

"Ninguém questionou quanto custou a visita de João Paulo II (em 1987) ou quanto custou a visita do presidente da China (em 2017) porque acolhemos os convidados. Estamos em uma sociedade tremendamente mercantilista. Medimos tudo pelo dinheiro", disse Berríos em entrevista à Agência Efe.

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