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SPD mostra divisões internas após pré-acordo para nova coalizão com Merkel

13/01/2018 15h39

Gemma Casadevall.

Berlim, 13 jan (EFE).- O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) está dividido internamente sobre o pré-acordo firmado ontem pelo líder da legenda, Martin Schulz, e a chanceler do país, Angela Merkel, para a reedição de uma grande coalizão de governo.

O ministro de Relações Exteriores da Alemanha e ex-líder do SPD, Sigmar Gabriel, quebrou o gelo neste sábado e fez contato direto com as bases do partido durante um encontro em Saxónia-Ahhalt, no leste da Alemanha, uma discussão que refletiu os dilemas do partido.

Gabriel defendeu uma nova aliança com a União Democrata-Cristã (CDU), o partido de Merkel, com o argumento de que o SPD não pode ser responsável por impedir a formação de governo na Alemanha. Além disso, o ministro classificou como "inteligentes" os resultados obtidos pela legenda na intensa negociação com a chanceler.

Por outro lado, Gabriel criticou a hipótese de esse pré-acordo ser submetido ao congresso extraordinário do SPD no próximo dia 21, em Bonn. Para ele, a votação mostraria uma falta de confiança das bases do partido nas decisões tomadas pela cúpula.

O pré-acordo precisará ser aprovado pelos 600 delegados do SPD, e assim iniciar as negociações formais para firmar a coalizão. Caso o pacto seja aprovado, ele será submetido à consulta entre os 445 militantes da base.

Essa modalidade de confirmação atrasa ainda mais a formação do novo governo, três meses e meio após as eleições gerais, além de prolongar a incerteza política atual.

Por esses motivos, o SPD espera semanas de turbulência e de exibição pública das divisões internas do partido após os piores resultados da legenda nas eleições, com 20,5% dos votos.

Schulz pretendia colocar o SPD na oposição para favorecer a renovação interna, mas foi praticamente obrigado a negociar a formação de uma outra grande coalizão, apesar de a aliança com a CDU de Merkel ter afetado a visão do eleitor do partido.

"Dizer não a outra coalizão gerava o perigo da convocação de novas eleições, com diagnósticos ruins para o SPD", afirmou.

A Juventude Social-Democrata (Jusos), com 70 mil membros, fez campanha eleitoral contra a grande coalizão. Agora, eles estão em pé de guerra contra o pré-acordo firmado entre Schulz e Merkel.

Para o líder do SPD na Baviera, Stefanie Krammer, a possibilidade de aliança é uma "declaração de guerra" e uma clara "fraude eleitoral". O presidente nacional do Jusos, Kevin Kühner, tem uma opinião semelhante ao do companheiro de partido.

Tanto as novas gerações como a cúpula do partido temem pelo futuro. Mas, enquanto alguns acreditam que a aliança com Merkel é muito prejudicial, outros defendem o acordo firmado na sexta-feira.

"O pré-acordo é uma boa base para negociar uma coalizão", indicou o vice-presidente do SPD, Olaf Scholz.

O pacto surgiu após uma intensa rodada de negociação que durou mais de 24 horas, entre quinta e sexta-feira, entre Schulz, Merkel e Horst Seehofer, líder da União Social-Cristã da Baviera (CSU), partido é aliado da CDU.

Apesar das divisões, Schulz acredita que o pré-acordo será aprovado no congresso extraordinário do SPD e na votação da base do partido. Além disso, destacou que as negociações foram apoiadas pela grande maioria da direção da legenda.

Ao longo do fim de semana, a cúpula do SPD defenderá o pré-acordo em vários eventos com a militância, como fez Gabriel.

Uma reunião na Renânia do Norte-Westfalia é especialmente importante. A delegação regional é a mais poderosa do partido e especialmente crítica em relação à formação de uma nova coalizão.

Schulz visitará na próxima semana várias regiões para tentar vender a ideia de que uma nova coalizão é boa para o SPD.