Trump desiste de acordo migratório após polêmica por declarações racistas

Raquel Godos.

Washington, 13 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou como perdido o acordo migratório negociado durante meses no Senado por um grupo bipartidário depois de ter chamado países como El Salvador e Haiti de "buracos de merda" na última reunião sobre o assunto, gerando grande polêmica.

Trump acusou os democratas neste sábado de terem enterrado um possível pacto depois de suas declarações no encontro terem sido vazadas ao jornal "The Washington Post".

"Os democratas são só palavras e nada de ação. Não estão fazendo nada para consertar o Daca (Programa de Ação Diferida para os Chegados na Infância). Uma grande oportunidade perdida. Muito ruim!", disse hoje o presidente no Twitter, falando sobre a situação dos jovens imigrantes ilegais que chegaram ao país quando crianças.

"Não acredito que os democratas realmente queiram ver um acordo sobre o Daca. Esse é o momento, mas, dia após dia, estão desperdiçando a grande oportunidade que têm", completou.

Várias fontes do Senado ouvidas pela Agência Efe não consideram as negociações como encerradas, porém reconhecem que havia mais possibilidade de sucesso antes da reunião na qual Trump teria feito as polêmicas declarações.

O grupo de negociação, formado por três senadores democratas e três republicanos, tinha chegado a um princípio de acordo que cumpria as exigências da Casa Branca para aprovar um caminho que poderia dar cidadania a mais de 1 milhão de jovens ameaçados pela deportação e que foram criados nos EUA.

Mas outra das disposições da proposta bipartidária contempla a eliminação da loteria de vistos, que atualmente distribui 50 mil vistos por ano, para transformar metade deles em vistos para aqueles que foram afetados pelo fim do Status de Proteção Temporária (TPS).

Quando explicaram a Trump a medida, segundo o "Post", o presidente respondeu: "Por que temos todas essas pessoas de países que são 'buracos de merda' vindo para cá?", disse ele, se referindo a El Salvador, Haiti e países africanos.

Trump sugeriu então que os EUA deveriam trazer mais imigrantes de países como a Noruega. Na quarta-feira, o presidente tinha se reunido com a primeira-ministra do país.

As declarações de Trump deixaram os senadores presentes na reunião abalados. O vazamento dos comentários colocaram as negociações em xeque, justo quando os democratas tinham aceitado direcionar recursos para a construção do muro na fronteira com o México, tão exigido pelo presidente.

Uma fonte do Senado revelou à Efe que os senadores tinham concordado em abrir um caminho para a cidadania de 1 milhão de jovens sem documentos no país e conceder US$ 1 bilhão para projetar e construir uma barreira física na fronteira.

Além disso, as negociações também incluíram recursos para reforçar tecnologicamente a segurança na fronteira e negaria a possibilidade de os país dos jovens de obter cidadania. Eles, no entanto, teriam um "alívio migratório" para evitar a deportação.

Após mais de quatro meses de diálogo entre democratas e republicanos, o tempo está esgotando para os mais de 800 mil jovens beneficiados pelo Daca, aprovado por Obama. Trump, no entanto, determinou março como prazo para encerrar o programa.

É por isso que o Congresso corre para encontrar uma solução antes do fim do período, já que o fim do programa colocaria em risco a permanência de todos esses jovens, já integrados no sistema educacional, trabalhista e social do país.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos