Ala esquerdista do SPD alemão exige melhorias no pré-acordo com Merkel

Berlim, 14 jan (EFE).- A ala esquerdista do Partido Social-Democrata (SPD) alemão exige melhorias no pré-acordo de coalizão alcançado com o bloco conservador da chanceler Angela Merkel e que deverá ser submetido à ratificação de um congresso extraordinário da legenda na próxima semana.

Para o vice-presidente do SPD, Ralf Stegner, antes de concordar com o pactuado devem suprimir-se aspectos "sem sentido", ainda que se declare "partidário" de iniciar negociações formais para uma grande coalizão, segundo publicou neste domingo o jornal "Die Welt".

Mais crítico é o seu correligionário e prefeito-governador de Berlim, Michael Müller, que declarou ao jornal "Der Tagesspiegel" que uma mera repetição dessa aliança "não tem sentido" e pediu "melhorias" na política migratória, entre outras reivindicações.

Estas críticas da cúpula do partido se somam às mensagens de alerta contra o texto pactuado pelo líder do SPD, Martin Schulz, feitas ontem pelas delegações regionais de dois estados federados.

No estado de Alta Saxônia, no leste do país, o "não" a outra grande coalizão com Merkel se impôs por um voto - 52 contra 51 -, de acordo com a moção de rejeição defendida pela Juventude Social-Democratas, conhecida como "Jusos".

Já no estado de Hesse, no oeste, os delegados se pronunciaram a favor de incluir "mudanças" no pré-acordo, apresentado por Schulz e Merkel como um resultado sólido e equilibrado, após uma rodada negociadora de mais de 24 horas.

Os "Jusos" consideram que o pactuado é uma "declaração de quebra" do partido e se mobilizaram para tentar bloqueá-lo no congresso extraordinário do SPD do dia 21 em Bonn.

O pré-acordo deverá receber em dito congresso a autorização dos 600 delegados do partido para poder iniciar negociações formais de coalizão. Além disso, caso se consolide um pacto de governo, este deverá superar ainda uma consulta entre os 445.000 militantes da base.

Esta modalidade de ratificação retarda ainda mais a formação do novo governo, três meses e meio após as eleições gerais, de modo que, superados todos os obstáculos, Merkel poderia ser empossada no final de março.

Os "Jusos" têm 70.000 membros, do total de quase meio milhão de militantes, mas seu líder, Kevin Kühner, mostrou uma grande capacidade de mobilização contra as diretrizes da cúpula.

O pré-acordo foi apresentado na sexta-feira ao meio-dia após a intensa rodada negociadora entre Schulz, Merkel e Horst Seehofer, o líder da União Social-Cristã da Baviera (CSU), partido irmanado à União Democrata-Cristã (CDU) da chanceler.

A CSU conseguiu que prosperassem algumas restrições à política migratória que exigia e deu assim o giro direitista que ansiava para recuperar posições perante seu eleitorado, já pensando nas eleições regionais que acontecerão na Baviera no próximo mês de outubro.

O SPD ficou no meio do caminho, já que não conseguiu que prosperassem suas propostas para subir os impostos aos investimentos mais altos, ainda que tenha defendido com sucesso uma série de melhorias em aposentadorias, no sistema sanitário e nas ajudas à família.

Schulz pretende visitar várias delegações regionais ao longo da próxima semana determinado a ganhar adeptos para o congresso em Bonn. O líder dos Jusos tem os mesmos planos.

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