Schulz tenta acalmar oposição interna do SPD à nova coalizão com Merkel

Gemma Casadevall.

Berlim, 14 jan (EFE).- O líder do Partido Social-Democrata (SPD), Martin Schulz, tem uma semana complexa pela frente, na qual deverá acalmar a oposição de parte de seus correligionários ao pré-acordo para formar uma nova coalizão de governo com a União Democrata-Cristã (CDU), de Angela Merkel.

O pacto, classificado por Schulz de "excelente e equilibrado", precisa de "melhorias" na avaliação da ala esquerdista do SPD. Já a juventude do partido, conhecida como Jusos, acredita que qualquer aliança com Merkel deve ser cortada pela raiz.

O líder do Jusos, Kevin Kühner, fará uma excursão pela Alemanha nesta semana para buscar apoios para barrar a aprovação do pré-acordo, que será votado pelos 600 delegados do SPD em um congresso extraordinário no próximo domingo.

O bloco conservador de Merkel já avisou que não haverá renegociação. Para o vice-presidente da CDU, Thomas Strobl, uma mudança no pré-acordo não seria "séria". Ele, no entanto, elogiou os esforços de Schulz para apresentar o pacto ao SPD.

"Schulz deve provar que é um aliado confiável, capaz de conter uma revolta dos anãos", disse Alexander Dobrindt, chefe parlamentar da União Social-Cristã da Baviera (CSU), um partido irmão da CDU.

O Jusos é minoria dentro do SPD, representando 70 mil membros do total de 450 mil militantes do partido mais antigo do país.

Em Berlim, os analistas consideram improvável que o Jusos consiga sobrepor a liderança de Schulz dentro do partido. Mas, para evitar qualquer reviravolta, o próprio líder do SPD fará viagens pelo país nesta semana para garantir o apoio necessário ao pré-acordo.

A nova aliança, no entanto, é questionada por parte do país. O jornal "Bild", por exemplo, questiona hoje: "É esse o nosso futuro?". Ilustra o questionamento uma foto de Merkel - de 63 anos e 12 deles no poder na Alemanha -, uma de Schulz - de 62 anos e pressionado pela oposição interna -, e outra de Horst Seehofer - de 68 anos e envolvido em uma crise de liderança na CSU.

A juventude do SPD exige que o partido passe para a oposição a CDU. Já a ala mais esquerdista do SPD quer mudanças no pré-acordo para colocar um selo social-democrata no próximo governo.

Na última coalizão entre os dois partidos, essa marca social-democrata foi constituída na implementação de um salário mínimo interprofissional, uma proposta defendida pelo SPD.

A ala esquerdista, representada na cúpula do SPD pelo vice-presidente do partido, Ralf Stegner, quer agora a inclusão de alguns projetos deixados de lado por Schulz no pré-acordo.

Quem venceu a negociação para a formação da nova coalizão foi a CSU, que impôs restrições na política migratória do novo governo.

O SPD, por sua vez, fez avançar um compromisso de estabilidade nas aposentadorias, obteve melhorias nas ajudas às famílias e uma redução nos impostos sobre os trabalhadores, assim como a garantia de grandes investimentos em educação e saúde.

Mas ficaram de fora do pacto demandas como o aumento dos tributos para investimentos mais altos e a taxação de grandes fortunas.

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