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Tunísia anuncia reajuste em auxílio para mais pobres em meio a protestos

14/01/2018 15h12

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Túnis, 14 jan (EFE).- O governo da Tunísia anunciou que aumentará o auxílio econômico concedido às famílias mais pobres em meio ao crescimento dos protestos registrados no país contra as políticas de austeridade implementadas desde o início do ano.

A imprensa local publicou neste domingo declarações do ministro de Assuntos Sociais, Mohamad Trabelsi, que ontem anunciou um aumento no benefício recebido por cerca de 250 famílias. O valor passará de 150 dinares (R$ 197) para 180 dinares (R$ 238). Para alguns, o auxílio passará para 210 dinares (R$ 276).

O anúncio dos reajustes, que ainda deve ser aprovado nesta semana no parlamento do país, ocorreu pouco depois de uma reunião do presidente Beji Caïd Esebsi com representantes dos partidos políticos e dos principais sindicatos nacionais.

Esebsi criticou a imprensa internacional, a acusando de exagerar no tamanho dos protestos e de prejudicar a imagem do país.

Uma fonte do governo consultada pela Agência Efe afirmou que o reajuste já estava pronto na mesa do governo e não é uma resposta à pressão das ruas, palco nesta semana de protestos pacíficos durante o dia e de confrontos entre manifestantes e polícia à noite.

A violência começou na terça-feira, com saques e vandalismo em alguns bairros, após a notícia da morte de um homem, de 55 anos, em Tebourna. Ele teria sido vítima da repressão dos agentes.

Desde então, a Polícia da Tunísia prendeu 806 pessoas, não só vândalos e extremistas, mas também coordenadores dos protestos pacíficos e jornalistas, em uma campanha de intimidação denunciada por organizações de defesa dos direitos humanos.

A fonte ouvida pela Efe também confirmou as declarações feitas ontem pelo ministro de Comércio, Omar al Bahi, que afirmou que o governo não vai modificar o orçamento já aprovado pelo parlamento, como pede a oposição progressista e parte da sociedade civil.

"Ficamos sujeitos ao efeito da bola de neve dos últimos sete anos com a piora da inflação, a dívida e uma flagrante desvalorização do dinar. Seguimos comprometidos com o orçamento para 2018. Não mudaremos uma vírgula", disse o ministro.

A oposição progressista, liderada pela Frente Popular, e ativistas mobilizados através da plataforma "Fesh nastenneu" reiteraram à Efe que seguirão com os protestos até conseguir que esse "injusto orçamento" seja modificado.

Para hoje, sétimo adversário da revolução que derrubou a ditadura de Zine El Abidine Ben Ali e foi o início da "Primavera Árabe", novos protestos foram convocados em todo o país.