Forças turcas atacam enclave curdo-sírio coincidindo com ameaças de Erdogan

Susana Samhan.

Beirute, 15 jan (EFE).- A Turquia atacou nesta segunda-feira com artilharia posições das milícias curdas na região de Afrin, no noroeste da Síria, coincidindo com as ameaças do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre o início "a qualquer momento" de uma operação armada contra esse enclave.

Em declarações por telefone à Agência Efe, o responsável de Relações Exteriores de Afrin, Suleiman Yafar, afirmou que, "ao amanhecer, as forças turcas atacaram por Azaz (ao leste de Afrin) as áreas de Ain Daqna e Maranaz e, pelo oeste, Deir Balut e Yindiris".

Além disso, "ontem à noite a Turquia abriu fogo de artilharia contra a região de Qara Baba, na fronteira", acrescentou Yafar.

Com estes ataques, "a artilharia turca teve como alvo Afrin e todos os seus arredores" nas últimas horas, apontou.

Situada no noroeste da província de Aleppo, na fronteira com a Turquia, Afrin está sob o controle das Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança liderada por milícias curdas que tem o apoio da coalizão internacional comandada pelos Estados Unidos.

Yafar explicou que os ataques contra Afrin são habituais por parte dos grupos rebeldes e islamitas sírios que estão apoiados pela Turquia, mas nesta ocasião foi o próprio exército turco quem lançou os projéteis contra a região.

Não obstante, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, choques entre as FSD e facções opositoras sírias aliadas da Turquia têm se desencadeado em áreas próximas a Afrin, como Ain Daqna e Maaranaz.

Erdogan ameaçou hoje iniciar uma operação militar "a qualquer momento" em Afrin e em Manbech, também no norte de Aleppo e, além disso, nas mãos das FSD.

"As Forças Armadas turcas resolverão o problema de Afrin e Manbech. Os preparativos já estão completados. A operação pode começar a qualquer momento", disse o presidente turco em um discurso em Ancara.

O governo da Turquia considera "terroristas" as milícias curdas Unidades de Proteção do Povo (YPG), que são o principal componente das FSD, e às quais vê como uma mera filial da guerrilha curda da Turquia, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Para esta escalada de tensão também contribuiu a iniciativa dos EUA e das milícias curdo-sírias de criar uma nova força que se desdobrará em áreas fronteiriças.

"As FSD, em cooperação com a coalizão e os EUA, têm um plano para 2018 de criar uma guarda fronteiriça federal com 30 mil combatentes", revelou à Efe por telefone o diretor do escritório de Informação da aliança de milícias, Mustafa Bali.

Esse contingente operará em áreas da administração autônoma curdo-síria, sob controle das FSD, que fazem fronteira com a Turquia e o Iraque.

"Também trabalhará nas linhas de contato com o regime na região do Eufrates", detalhou Bali, em referência às províncias do nordeste de Raqqa e Deir ez-Zor, onde há presença das autoridades sírias e das FSD.

Bali acrescentou que essa guarda fronteiriça já está em treinamento e, assim que terminá-lo, iniciará sua missão.

As reações não demoraram e Turquia, Síria e Rússia condenaram esses planos.

Em seu discurso de hoje, Erdogan criticou com dureza esse projeto.

"Os EUA agora admitem que estão criando um Exército terrorista ao longo da nossa fronteira. O que temos que fazer é afogar esse exército antes que ele nasça", concluiu Erdogan, que insistiu que seu país limpará de "terroristas" os 900 quilômetros de fronteira com a Síria.

O governo sírio advertiu, por sua vez, que acabará com a presença americana em seu território.

Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores da Síria declarou à agência de notícias oficial "SANA" que "o povo e o Exército sírio estão decididos a frustrar esta conspiração, acabar com a presença dos EUA e seus agentes na Síria e restabelecer a autoridade legítima em todo o território".

Para a Rússia, aliada do Executivo de Damasco, essa iniciativa procura a desintegração da Síria.

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