Missão do Conselho de Segurança revisa com o Governo situação do Afeganistão

Kabul, 15 jan (EFE).- Uma delegação do Conselho de Segurança da ONU visitou Kabul, na primeira missão deste tipo em oito anos, para se reunir com o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, e o chefe do Executivo, Abdullah Abdullah, e conhecer a situação quando o Governo tenta impulsionar um processo de paz.

O grupo, formado por representantes dos 15 países do Conselho e liderado por Kairat Umarov, embaixador do Cazaquistão na ONU e presidente de turno do órgão, se reuniu nos últimos dois dias com representantes políticos, militares e ativistas para conhecer a situação política, de segurança, socioeconômica e de direitos humanos.

"Todas as partes ressaltaram a importância de um processo de paz aberto, dirigido e reconhecido pelos afegãos para uma estabilidade e prosperidade a longo prazo no Afeganistão e os membros do Conselho renovaram seu compromisso de apoiar os esforços para trazer paz e reconciliação", informou nesta segunda-feira a missão das Nações Unidas (Unama) em um comunicado.

A visita, apontou o organismo, acontece às vésperas da reunião no mês que vem do Processo de Kabul, uma iniciativa de paz lançada pelo governo afegão com o respaldo da comunidade internacional no ano passado, após o maior atentado registrado em Kabul, para estabelecer um processo de paz com os insurgentes do país.

Durante a visita, a delegação se reuniu, entre outros, com Ghani e Abdullah e expressou sua preocupação com a situação de segurança no país com a presença dos talibãs, a rede terrorista Al Qaeda e o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), segundo a nota.

No encontro com Ghani, as partes discutiram o papel do Paquistão no Afeganistão, depois que os Estados Unidos suspenderam no início do mês a ajuda de segurança ao país asiático por sua suposta inação contra grupos terroristas.

"Nesta reunião, foi debatida a cooperação regional e revelou-se que para trazer estabilidade ao Afeganistão é preciso aumentar a pressão sobre o Paquistão e ao mesmo tempo deve-se aumentar os esforços para o diálogo", indicou o Palácio Presidencial afegão em um comunicado.

No último fim de semana foi informado um "encontro informal" entre autoridades afegãs e representantes de facções dos talibãs, entre outros, na Turquia com o objetivo de preparar um possível diálogo de paz.

Os talibãs aproveitaram a situação para ganhar terreno no Afeganistão após o final da missão militar da Otan no país, em 1º de janeiro de 2015, e a retirada de militares, dos quais ficaram 13 mil (que serão ampliados para 16 mil) em uma missão de assistência e capacitação às tropas afegãs.

Neste momento, o Estado controla apenas 57% do território nacional, enquanto aproximadamente 11% estão nas mãos dos insurgentes e o resto está em disputa.

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