Novos distúrbios na Tunísia terminam com mais de 40 detidos

Túnis, 15 jan (EFE).- Forças de Segurança tunisianas detiveram 41 pessoas durante os distúrbios e protestos contra as políticas de austeridade que se repetiram ontem à noite em diversas zonas de Túnis, informou nesta segunda-feira o Ministério de Interior.

Em declarações à imprensa, seu porta-voz, Khalifa Chibani, voltou a insistir que se trata de atos organizados, mas "limitados aos bairros de Ettadhamen, Daoura, Hicher e Kram", na capital, e Sidi Bouzid e Feriana, no centro-leste do país.

Testemunhas explicaram à Agência Efe que grupos de jovens queimaram pneus e containers no distrito de Ettadhamen e conseguiram fechar o acesso à artéria principal diante de unidades antidistúrbios.

Além disso, lançaram pedras e outros objetos contra os agentes, que praticaram detenções e utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar os reunidos.

Cenas similares foram vividas em Kram, uma zona também economicamente muito deprimida na costa de Túnis, onde a Polícia deteve 20 pessoas, aparentemente pela suposta participação no incêndio de uma delegacia, informou a imprensa local.

Os distúrbios começaram ao cair a noite e ocorreram horas depois que milhares de tunisianos saíram às ruas do país para celebrar a "Revolução de Jasmim", que em 2011 deu início às Primaveras "Árabes".

E pouco depois de o presidente do país, Beji Caïd Essebsi, visitar o citado bairro de Ettadhamen, um dos mais pobres da capital, para tentar de apaziguar os protestos contra a austeridade que ocorrem desde o começo do ano.

As manifestações ficaram violentas na noite de terça-feira depois que foi revelada a morte por ação da Polícia de um homem de 55 anos em Tajoura, cerca de 40 quilômetros da capital.

Desde então, 850 pessoas foram detidas pela polícia, muitas deles por atos de vandalismo, mas também membros da oposição, ativistas sociais e inclusive jornalistas em uma campanha de intimidação que foi denunciada por organizações de defesa dos direitos humanos.

A origem dos protestos são os novos orçamentos gerais do Estado que, condicionados pelo empréstimo milionário concedido em 2016 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), incluem aumento de impostos, demissões e cortes sociais, entre outras medidas.

O governo tunisiano insistiu que não voltará atrás apesar dos protestos, enquanto a oposição progressista e as novas plataformas da sociedade civil, como Fesh-nastanneu? (A que esperamos?), motor das mobilizações pacíficas, advertiram que não retrocederão até que sejam cancelados.

Em uma tentativa por acalmar os ânimos, o Governo anunciou no sábado que elevará de forma proporcional o subsídio mensal que concede às famílias mais desfavorecidas, atualmente em 150 dinares (50 euros).

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