Rússia acredita que governo americano quer desintegração da Síria

Moscou, 15 ene (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, advertiu que a intenção do governo dos Estados Unidos de criar uma grande força militar sob o seu comando com o pretexto de controlar a segurança nas fronteiras da Síria parece almejar a desintegração territorial do país árabe.

"Definitivamente significa criar um enorme território separado nas fronteiras com a Turquia e com o Iraque, e ao leste do Rio Eufrates. A declaração de que essa região será controlada por forças com até 30 mil soldados ao comando americano faz temer a divisão da Síria", afirmou Lavrov em coletiva de imprensa para resumir os resultados do ano de 2017.

Os planos dos Estados Unidos, revelados pela imprensa ocidental, contemplam a criação de um grupo militar sobre a base das Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança armada opositora liderada por milícias curdas.

"As ações dos Estados Unidos indicam que não há interesse em conservar a integridade territorial da Síria. Além disso, cria um problema nas relações entre os curdos e a Turquia. É um novo passo unilateral e em forma de ultimato que não ajuda na desmilitarização de Afrin", lamentou Lavrov.

Ontem, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que o Exército turco continuará com a operação militar na cidade de Afrin, dominada pelas milícias curdas das Unidades de Proteção do Povo (YPG), aliadas ao Executivo em Washington. No sábado, as Forças Armadas turcas deslocaram vários tanques para a fronteira com Afrin e a artilharia atacou posições dominadas pelos curdos nessa região.

Lavrov disse que são "pouco claras" as acusações feitas ao governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, acusado de atacar à oposição em Ghouta Oriental (nos arredores de Damasco) e na província de Idlib.

"Os provocadores tentam desestabilizar a situação em Idlib e Ghouta Oriental. Em Ghouta Oriental, as estruturas que destruíram os acordos do cessar-fogo em Astana estão sendo pressionadas e há muito pouco tempo fizeram uma série de ataques contra o contingente sírio. Em Ghouta Oriental, combatentes pró Frente al Nusra disparam regularmente contra áreas residenciais de Damasco", garantiu o titular da diplomacia russa.

Segundo ele, as tropas oficiais da Síria não têm outra solução, a não ser responder a essas ações, que são "violações diretas dos acordos sobre zonas desmilitarizadas".

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