Bachelet recebe papa e menciona conflito indígena e vulnerabilidade infantil

Santiago do Chile, 16 jan (EFE).- A presidente do Chile, Michelle Bachelet, recebeu nesta terça-feira o papa Francisco no Palácio de La Moneda com um discurso alusivo à tensão que existe entre o Estado e o povo indígena mapuche e à vulnerabilidade com que vivem milhares de crianças sob a tutela do sistema público.

Em suas palavras, Bachelet fez referência a "o que falta e a o que se pode fazer" para quitar a dívida com o povo mapuche junto ao bispo de Temudo, Héctor Vargas, da região da Araucanía, onde acontece o conflito com esse povo nativo.

A presidente chilena também ressaltou "a profunda transformação" que seu governo impulsionou "para terminar com a vergonha que sentimos como sociedade diante a vulnerabilidade das nossas crianças".

Bachelet deu as boas-vindas com homenagens ao pontífice, em sua primeira visita oficial ao Chile, após o bispo de Roma chegar ao país ontem á tarde.

Em seu discurso, a presidente chilena deu ênfase em "exigir mais da nossa ética cívica, política e econômica", com o propósito de dar fim à corrupção e as más práticas da classe política.

Lembrou a visita ao Chile do papa João Paulo II em 1987, sob o regime do ditador Augusto Pinochet, que terminou com incidentes e repressão no Parque O'Higgins, onde Francisco celebrará hoje sua primeira missa campal no Chile.

"Há 30 anos o papa João Paulo segundo nos visitava. O fazia em meio à ansiedade que sentíamos para informar a realidade de um país ferido. Precisávamos que os olhos do mundo nos acompanhassem, e que nos ajudassem a superar a falta de liberdade", disse Bachelet, que agradeceu o compromisso da Igreja Católica com os direitos humanos.

"Hoje o Chile é outro", continuou, "acima das nossas diferenças, percorremos caminhos de união e justiça", acrescentou a presidente, que também ressaltou as "condições de dignidade e conforto para milhões de compatriotas" que melhoraram com a chegada da democracia em 1990.

Bachelet também destacou as reformas impulsionadas por seu governo em matéria de educação, saúde, habitação e proteção da natureza e do meio ambiente.

"Acreditamos que o desenvolvimento e o crescimento não são um objetivo em si, mas que são instrumentos para ter vidas mais dignas, com mais capacidades, mais conforto e melhor convivência", destacou.

Após os discursos oferecidos por Bachelet e o papa Francisco no Palácio de La Moneda, ambos tiveram uma reunião privada, à qual compareceu brevemente a mãe da presidente, Ángela Jeria.

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