Bangladesh e Mianmar estabelecem prazo de 2 anos para repatriar rohingyas

(Corrige 2º parágrafo, pois o acordo foi adotado em Naypyidaw).

Daca, 16 jan (EFE).- Os governos de Bangladesh e Mianmar chegaram a um acordo para que o processo de repatriação dos refugiados rohingyas em território bengalês seja concluído no período de dois anos a partir do momento em que começar o retorno dos integrantes desta minoria muçulmana.

Segundo informou nesta terça-feira o Ministério de Relações Exteriores de Bangladesh em um comunicado, o acordo, firmado em Naypyidaw pelo Grupo de Trabalho Conjunto formado para buscar um mecanismo de retorno dos mais de 650 mil rohingyas que chegaram a Bangladesh desde agosto, também estabelece que a repatriação vai considerar as famílias como uma unidade.

"O Acordo Físico estabelece que a repatriação será concluída dentro dos dois anos a partir do início da mesma", diz o texto.

O grupo de trabalho esteve reunido durante os últimos dois dias em Naypyidaw, a capital birmanesa, para tratar do retorno dos rohingyas a Mianmar, uma opção rejeitada por várias organizações de direitos humanos que consideram que ainda não há condições necessárias para garantir a segurança dos integrantes desta minoria em território birmanês.

No dia 23 de novembro, Mianmar e Bangladesh estabeleceram um acordo para a repatriação dos rohingyas que chegaram em território bengalês desde agosto, que, segundo o último censo divulgado ontem pela ONU, são cerca de 655.500.

De acordo com o pacto, o processo de repatriação teria que começar no prazo de dois meses a partir da assinatura do acordo.

A crise começou em 25 de agosto após um ataque de um grupo insurgente rohingya que foi respondido com uma campanha militar no estado de Rakhine, onde calcula-se que havia cerca de 1 milhão de rohingyas.

A ONU e organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram em repetidas ocasiões que existem provas claras sobre os abusos, e o Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU qualificou a ação do exército birmanês de "limpeza étnica", afirmando que há indícios de "genocídio".

O exército birmanês reconheceu na semana passada um caso de execuções de rohingyas, cujos corpos foram enterrados em uma vala comum em setembro.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou em um estudo divulgado em dezembro que pelo menos 6.700 rohingyas, entre eles 730 crianças menores de cinco anos, tinham sido assassinados em Mianmar durante o primeiro mês da crise.

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