Correa deixa partido pelo qual foi eleito presidente do Equador

Quito, 16 jan (EFE).- O ex-presidente equatoriano Rafael Correa deixou nesta terça-feira a Aliança País (AP), partido fundado por ele em 2006 e pelo qual governou o país entre janeiro de 2007 até maio do ano passado.

Uma fonte próxima ao presidente revelou à Agência Efe que a decisão foi tomada por causa de uma sentença do Tribunal de Contenciosos Eleitorais (TCE), que manteve a atual diretoria do movimento, ligada ao atual presidente do país, Lenín Moreno.

O órgão negou um recurso apresentado pela parlamentar Gabriela Rivadeneira, aliada de Correa, contra a decisão de Moreno de repassar a liderança da AP para Ricardo Zambrano.

O recurso já tinha sido negado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que considerou a diretoria indicada por Moreno como legítima, não reconhecendo os diretos dos simpatizantes de Correa, um grupo liderado pelo ex-chanceler equatoriano Ricardo Patiño.

Depois da decisão, Rivadeneira, que já tinha antecipado em entrevista à Efe em dezembro que deixaria o partido caso a ala ligada ao ex-presidente fosse derrotada na Justiça, marcou uma entrevista coletiva na sede da própria AP, no norte de Quito.

Correa também anunciará a criação de um novo partido. O evento de lançamento ocorrerá em Babahoyo, capital da província de Los Ríos.

A divisão do movimento que governa o Equador desde 2007 ocorre após vários meses de troca de farpas entre Moreno e Correa. Os dois têm divergências ideológicas e discordam também da ação contra o então vice-presidente do país, Jorge Glas, hoje preso.

No fim de outubro, os simpatizantes do ex-presidente destituíram Moreno como líder da AP e nomeando Patiño para o posto. O movimento não foi reconhecido pela Justiça, mas mostrou a todos a profunda divisão política dentro do partido governista.

Após saber da decisão do Tribunal de Contenciosos Eleitorais, Correa afirmou no Twitter que já não existe Estado de Direito no Equador. O presidente também usou a rede social para se despedir do partido fundado por ele: "Até logo, AP", escreveu.

O ex-presidente está desde o início do ano no país fazendo campanha pelo "não" na consulta popular promovida pelo governo e marcada para ocorrer no dia 4 de fevereiro.

Entre outras coisas, o governo pretende revogar a medida que determina a reeleição indefinida de presidentes. EFE db/lvl

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