Desde que coalizão árabe entrou no conflito do Iêmen, 5 mil crianças morreram

Genebra, 16 jan (EFE).- Mais de 5 mil meninos e meninas morreram no Iêmen desde que o conflito civil no país se agravou, em março de 2015, com a intervenção de uma coalizão árabe, e quase todos os menores de idade do país, 11 milhões, precisam de ajuda humanitária para sobreviver, revelou um relatório publicado nesta terça-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

"Nascidos na guerra" explica ainda que mais da metade das crianças do país não tem acesso à água potável nem a saneamento adequado. Além disso, 1,8 milhão de crianças estão desnutridas, incluindo 400 mil que sofrem de desnutrição severa aguda e que, literalmente, lutam diariamente para sobreviver.

A porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Bettina Luescher, indicou que no país há 17,8 milhões de pessoas que padecem insegurança alimentar; 8,4 milhões com insegurança alimentar severa; 1,8 milhão menores de cinco anos desnutridos agudos e 1,1 milhão de mulheres grávidas com destruição aguda.

Durante estes quase três anos, 3 milhões de bebês nasceram no país. Quase 2 milhões de partos aconteceram nas próprias casas ou refúgios, a maioria deles sem qualquer atendimento médico, de acordo com a representante do Unicef no país, Meritxell Relano. Segundo ela, 30% das crianças nascem prematuras e 30% deles abaixo do peso. Além disso, 25% morre ao nascer ou no primeiro mês de vida.

"Uma geração inteira no Iêmen só conhece a guerra. A desnutrição e a doença são generalizadas, já que os serviços básicos colapsaram. Os que sobrevivam terão que carregar feridas físicas e psicológicas do conflito para o resto dos seus dias", denunciou ela.

Além dessa situação desesperada, existe a epidemia de cólera que já afetou mais de 1 milhão de pessoas, sendo 25 mil com menos de cinco anos. Outro grave problema são os casamentos infantis como meio de sobrevivência. O Unicef calcula que três quartos das meninas se casam antes de completar 18 anos.

Meritxell denunciou que o Unicef verificou também que pelo menos 2 mil meninos foram recrutados por diferentes grupos armados, o que representa um aumento de 27% entre novembro e dezembro de 2017.

Aproximadamente, 2 milhões de crianças não vão à escola, incluindo meio milhão que teve que abandonar as salas de aula quando o conflito piorou com a intervenção da coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita para frear o avanço dos rebeldes houthis. No final de 2017, 256 escolas estavam destruídas, 150 eram ocupadas por deslocados internos e 23 estavam com grupos armados.

O Unicef pediu que as partes em conflito, os que têm influência sobre elas e à comunidade internacional encontrem uma solução política que acabe com a violência. Enquanto isso não acontece, o organismo lembrou a obrigação de cumprir com as leis internacionais e permitir o pleno acesso da assistência humanitária a toda a população.

Em setembro de 2014, os rebeldes houthis (xiitas) derrubaram o presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, que fugiu para Riad. Em março de 2015, foi constituída uma aliança de países árabes e sunitas, lidera pela Arábia Saudita, para acabar com os houthis e restabelecer Hadi no poder.

Antes do conflito, o Iêmen já era o país mais pobre do Oriente Médio e um dos menos desenvolvidos do mundo, importava 80% de tudo o que consumia e dependia enormemente da assistência internacional. EFE

mh/cdr

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