ONU pede inclusão em discussões oficiais para retorno de rohingyas a Mianmar

Genebra, 16 jan (EFE).- A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) disse nesta terça-feira que deseja ser parte das conversações oficiais iniciadas pelos governos de Mianmar e Bangladesh para o retorno dos refugiados rohingyas ao primeiro país.

Mais de 650 mil membros dessa minoria muçulmana que viviam no estado de Rakain (noroeste de Mianmar) se refugiaram desde agosto do ano passado em Bangladesh após serem vítimas de uma grande ofensiva armada das forças de segurança.

A violência incluiu a destruição de aldeias inteiras e foi amplamente condenada pela comunidade internacional.

O órgão da ONU destacou a importância do diálogo entre os dois governos para que seja cumprido o direito das vítimas ao retorno voluntário e explicou que deseja participar dessas conversações "para garantir que os refugiados sejam escutados e que seus direitos sejam protegidos, tanto em Bangladesh como ao retornarem a Mianmar".

Entre esses direitos está o seu reconhecimento como cidadãos, uma condição que Mianmar negou historicamente aos rohingyas.

Em um encontro realizado nos dois últimos dias entre representantes de ambos governos, foi acordado que o processo de repatriação deverá ser completado em dois anos a partir do momento em que for iniciado.

Vários observadores criticam a forma como o processo foi estabelecido, já que, em função das atuais circunstâncias, ninguém pode ter certeza que nesse prazo haverá as condições para o retorno de forma segura e digna.

"Esperamos que os refugiados possam retornar aos seus locais de origem quando eles mesmos decidirem", comentou o porta-voz da ACNUR, Andrej Mahecic.

"Dissemos que os retornos devem se basear em decisões bem fundadas e voluntárias dos refugiados, que também devem ser quem decide o ritmo do retorno e quando sentirem que chegou o momento e as circunstâncias apropriadas".

Entre outras coisas, a preocupação do órgão humanitário se baseia no fato de, após alguns meses dos piores momentos desta crise, os rohingyas continuam fugindo de Mianmar.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirma que cerca 1.500 refugiados rohingyas continuam chegando diariamente a Bangladesh, "o que significa claramente que as condições para um retorno em paz e segurança não existem", enfatizou Mahecic.

O órgão também pediu ao governo de Mianmar que autorize o acesso a seus colaboradores ao norte do estado de Rakain para fornecer ajuda aos rohingyas que continuam lá, um pedido que vem fazendo regularmente desde o ano passado, sem resultados.

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