Turquia insiste em ataque iminente às milícias curdas aliadas dos EUA

Ancara, 16 jan (EFE).- O presidente da Turquia, o islamita Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta terça-feira que seu país atacará "amanhã ou depois de amanhã" as forças curdas aliadas dos Estados Unidos no norte da Síria e advertiu que ninguém pode parar essa operação.

"Amanhã ou depois de amanhã, começando em Afrin e Manbech (norte da Síria)", anunciou o presidente em um encontro com parlamentares de seu partido, a islamita Justiça e Desenvolvimento.

"Nem aqueles que parecem os nossos aliados, mas nos apunhalam pelas costas, nem os que apoiam o terrorismo, podem parar isto", afirmou Erdogan, insistindo em seus planos de atacar as milícias curdo-sírias aliadas de Washington contra o grupo jihadista Estado Islâmico, mas que Ancara considera terroristas.

Perguntado pela imprensa se tinha pensado em falar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Erdogan assegurou que "não estou pensando em ligar para ele. Seguimos falando com (Vladimir) Putin", o presidente da Rússia.

Também disse que na operação turca participariam membros da oposição "síria" ao regime de Bashar Al-Assad, sem se referir a nenhum grupo concreto.

Erdogan está há dias anunciando uma iminente operação terrestre contra zonas controladas pelas Unidades de Proteção Popular (YPG) em Afrin e em Manbech, no norte de Alepo.

No sábado e também na segunda-feira, a artilharia turca bombardeou posições nessa zona.

O Governo turco considera terroristas as YPG, que são o principal componente das Forças da Síria Democrática (FSD), que tem o apoio da coalizão internacional comandada pelos EUA.

Ancara vê essas milícias como uma extensão da guerrilha curda da Turquia, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que o Estado turco enfrenta desde 1984.

A esta escalada de tensão também contribuiu a iniciativa dos EUA e das milícias curdo-sírias de criar uma nova força que se desdobrará em zonas fronteiriças.

O Governo turco criticou em numerosas ocasiões que os Estados Unidos, aliado da Turquia na Otan, apoiem grupos considerados terroristas.

"Como é possível que os EUA venham desde milhares de quilômetros de distância a armar um Exército", acusou Erdogan, que também carregou contra a Aliança Atlântica.

"Otan. Também é obrigada a tomar uma postura quando as fronteiras de um aliado são atacadas", disse Erdogan.

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