Vítima de abusos sexuais rejeita pedido perdão do papa e pede "ações"

Santiago (Chile), 16 jan (EFE).- Uma das vítimas dos abusos sexuais cometidos há anos por um influente sacerdote chileno rejeitou nesta terça-feira o pedido de perdão formulado em Santiago pelo papa Francisco, ao qualificar a frase do pontífice de "mais uma manchete barata", e pediu à Igreja "mais ações" em favor das vítimas de abusos.

As palavras do papa "são insuficientes", afirmou no Twitter o jornalista Juan Carlos Cruz, um dos que denunciou há alguns anos os abusos cometidos por Fernando Karadima em uma paróquia de Santiago.

Fernando Karadima é um padre que teve grande influência na igreja chilena, foi responsável por formar 50 sacerdotes, cinco dos quais se tornaram bispos. No entanto, depois que vieram à tona as informações de que ele abusou sexualmente de crianças e jovens quando era o titular da paróquia "El Bosque", situada em um setor poderoso de Santiago, o religioso foi condenado a uma vida de oração e penitência pela Justiça do Vaticano em 2010.

Além disso, a justiça chilena também realizou um julgamento contra Karadima e o considerou culpado, mas ele não foi condenado porque os crimes já estavam prescritos.

Entre os seus discípulos figura Juan Barros, designado em março de 2015 bispo da cidade de Osorno, no sul do país, onde é rejeitado por uma parte da paróquia até hoje, que lhe acusa de ter acobertado os abusos de Karadima.

Hoje, no Palácio de la Moneda - a sede da presidência chilena -, o papa Francisco afirmou que não podia deixar "de expressar a dor e a vergonha pelos danos irreparáveis causados às crianças por parte dos ministros da Igreja". "É justo pedir perdão", declarou.

Cruz, que junto com outras vítimas de Karadima continua brigando na Justiça com o arcebispado de Santiago, comentou no Twitter: "o Papa pede perdão por abusos em La Moneda. Mais uma boa frase de efeito que arranca aplausos e fica por isso mesmo. Mais uma manchete barata".

"Basta de perdões, é preciso mais ação. Os bispos acobertadores continuam aí. São palavras vazias. Dor e vergonha é o que sentem as vítimas", acrescentou Cruz.

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