Assassinato de político sérvio em Kosovo amplia tensões na região

Snezana Stanojevic.

Belgrado, 17 jan (EFE).- O assassinato de um conhecido político sérvio em Kosovo põe em risco o frágil processo de normalização das relações entre a Sérvia e sua antiga província, faltando um mês para o décimo aniversário da declaração unilateral de independência.

Oliver Ivanovic, considerado um político moderado, foi baleado por um grupo ainda não identificado na zona norte de Mitrovica, uma cidade divida entre sérvios e albano-kosovares desde a guerra de 1998-1999. No passado, o município foi palco de frequentes choques entre representantes das duas comunidades.

O governo da Sérvia classificou o assassinato como um "ato terrorista" e prometeu que o crime não ficará impune.

A Sérvia pediu às missões da União Europeia (UE) e da ONU no Kosovo para poder participar das investigações, ao entender que o crime busca prejudicar os sérvios-kosovares e todo o país, mas o governo de Kosovo negou a solicitação.

A primeira reação sérvia foi suspender uma reunião marcada para ocorrer ontem com representantes kosovares, dentro do diálogo aberto em 2013 após a exigência da UE, que condiciona a entrada dos dois países no bloco à melhora das relações bilaterais.

Esse encontro seria o primeiro em um ano, após uma paralisação brusca das negociações devido a uma longa crise política em Kosovo.

"Há uma desconfiança geral, não houve muitos avanços apesar do processo de normalização das relações", explicou à Agência Efe o analista sérvio Zoran Milivojevic.

Segundo Milivojevic, seria essencial que os autores do crime fossem encontrados. Caso contrário, a desconfiança tornará impossível que relações se normalizem de fato no curto prazo.

Para o analista, a Sérvia não abandonará o diálogo, mas condicionará qualquer conversa ao esclarecimento do crime e à concessão de certa autonomia aos sérvios de Kosovo, algo que o governo da antiga província nega.

A declaração de independência de Kosovo, no dia 17 de fevereiro de 2008, foi apoiada por mais de cem países, entre os Estados Unidos, a maioria da UE, mas não por Sérvia, Rússia e China.

Milivojevic pensa que o assassinato pode radicalizar ainda mais o cenário político em Kosovo, promovendo partidos que se opõem a normalizar as relações com a Sérvia, como o ultra-nacionalista Vetevendosje, atual segunda força do parlamento e que defende a união de Kosovo com a Albânia.

O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, visitará no próximo fim de semana as regiões sérvias de Kosovo, em uma tentativa de acalmar as tensões e a incerteza.

Por enquanto, como um gesto de distensão, Vucic ligou hoje para o presidente de Kosovo, Hashim Thaci, com quem concordou sobre a importância do diálogo entre sérvios e albaneses.

"Os dois também concordaram que levar à Justiça os assassinos de Ivanovic é crucial para a preservação da paz e da confiança na região", disse a presidência da Sérvia em comunicado.

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