Familiares exigem ver corpos de insurgentes mortos em operação do governo

Caracas, 17 jan (EFE).- Os familiares das sete pessoas classificadas como "terroristas" pelo governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mortas na segunda-feira em uma operação militar contra o grupo liderado pelo ex-piloto insurgente Óscar Peréz, exigiram nesta quarta-feira ver os corpos de seus parentes.

Dois dias após a operação, considerada como uma "execução extrajudicial" por opositores e ativistas, os parentes seguem esperando que o governo permita a identificação dos corpos e temem que eles sejam incinerados antes da realização de autópsia.

"Eles já tiraram nosso pai, já o mataram, peço a eles que, por favor, nos deem o seu corpo, ainda que seja para vê-lo pela última vez, que não esperem que se decomponha, porque senão não vamos vê-lo nunca mais", disse Nicol Díaz, filha de um dos mortos.

O pai de Nicol é José Alejandro Díaz Pimental, funcionário da Contrainteligência Militar e que se uniu à rebelião de Pérez para denunciar a a ditadura de Maduro.

"No necrotério eles dizem que estão esperando uma ordem do (ministro de Interior, Néstor) Reverol, do alto comando, para poder entregar os corpos", afirmou a jovem.

Nicol contou que a esposa de seu pai está presa há cerca de seis meses. Ela foi submetida a interrogatórios, conduzidos por agentes venezuelanos, para revelar o paradeiro de seu marido. Desde então, ela não recebeu visitas e foi privada de outros direitos.

"Peço que, por favor, tenham piedade. Queremos vê-lo e fazer o mesmo que foi feito com Heyker. Queremos vê-lo, velá-lo e enterrá-lo como uma pessoa normal que foi", completou Nicol.

A filha de Díaz citava Heyker Vásquez, um civil acusado de participar do grupo de Pérez. Ele foi enterrado hoje com honras. Membros do grupo Civis Armados Leias ao Chavismo, do qual ele fazia parte, deram tiros para o alto durante a cerimônia.

A presença de Vásquez na operação é uma das irregularidades denunciadas pela oposição e por grupos pró-direitos humanos, que afirmaram que os agentes usaram um lança-granadas na operação contra a casa na qual estavam os insurgentes.

Antes de morrer, Pérez divulgou nas redes sociais vários vídeos gravados no interior da casa. Ele pedia aos agentes para se entregar, preservando assim os civis inocentes que estavam no local.

Pérez se rebelou em junho, ao sobrevoar Caracas com um helicóptero da Polícia Científica da Venezuela e disparar contra dois edifícios oficiais. Não houve feridos ou mortos na ação.

Desde então, o ex-piloto foi para a clandestinidade e gravou vários vídeos pedindo uma insurreição popular contra o governo chavista. No mês passado, Pérez atacou, junto com homens de seu grupo, uma base militar, onde roubou armas e recriminou os soldados por se manterem leais a Maduro.

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