Famílias de jihadistas francesas detidas na Síria processam governo da França

Paris, 17 jan (EFE).- Famílias de jihadistas francesas que estão detidas na Síria por forças curdas apresentaram uma denúncia contra o Executivo da França, a quem acusam de inação mesmo sabendo dos "riscos" que elas correm, e exigem sua repatriação.

Os advogados dos demandantes explicaram nesta quarta-feira, em um comunicado, que essas mulheres, que têm processos judiciais abertos na França por seu envolvimento com grupos jihadistas na Síria, "aceitam enfrentar sua responsabilidade penal" uma vez que estiverem em território francês.

O porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, afirmou no início deste ano que prefere que elas sejam julgadas na Síria, desde que sejam garantidos os direitos da defesa, o que não convence aos advogados, já que "o Curdistão sírio não tem nenhuma existência legal, nem dispõe de uma instituição soberana".

Para os advogados, as autoridades francesas contribuem para que essas "detenções arbitrárias" continuem, e isso expõe essas mães e seus filhos a "riscos evidentes, sobretudo de saúde, em uma zona de conflito".

A questão das francesas detidas em território controlado pelas forças curdas voltou a ser destaque na França depois que, no início do ano, se soube que Emilie König, uma das jihadistas francesas mais procuradas, foi capturada na Síria e pediu para ser repatriada à França, junto com seus dois filhos, para ser julgada no país europeu.

Em novembro do ano passado, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que a situação das francesas vinculadas a grupos jihadistas que estão retidas com os seus filhos está sendo analisada "caso a caso" e lembrou que, se elas finalmente retornarem à França, as maiores de idade serão julgadas para garantir "a justa proteção" que o Estado francês deve a seus cidadãos.

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