Justiça da Alemanha rejeita indulto para o "contador de Auschwitz"

Berlim, 17 jan (EFE).- A Procuradoria da Alemanha rechaçou o indulto solicitado pelo nonagenário Oskar Gröning, ex-membro da SS (polícia de Estado de Adolf Hitler) conhecido como o "contador de Auschwitz", que foi condenado em 2015 a quatro anos de prisão por cumplicidade no assassinato de 300.000 judeus.

Segundo informou nesta quarta-feira a emissora regional "NDR", a procuradoria de Lüneburg (cidade do norte da Alemanha onde foi condenado) confirmou a negação do indulto, com o que a última opção de Gröning para evitar a prisão é solicitar agora seu perdão perante o departamento de Justiça do estado federado da Baixa-Saxônia.

A procuradoria de Hanover tinha assinalado recentemente sua intenção de convocar em breve o idoso, de 96 anos, para sua transferência à prisão, depois que o Tribunal Constitucional rejeitou o recurso apresentado pelos seus advogados alegando que não se tinha levado em conta o precário estado de saúde do condenado.

Segundo foi relatado no julgamento, Gröning entrou em 1941, então com 20 anos, nas Waffen-SS e dois anos depois começou a ajudar em Auschwitz, onde assumiu a incumbência de confiscar as posses dos deportados e de fazer as correspondentes transferências a Berlim.

A acusação se centrou no seu papel na chamada "Operação Hungria", de meados de 1944, quando chegaram a Auschwitz cerca de 450.000 judeus, dos quais 300.000 foram assassinados.

Gröning, que após a queda do nazismo passou por um campo de internamento britânico e depois voltou à vida civil como contador em uma fábrica de vidro, foi indiciado em 1977, mas absolvido em 1988.

O processo contra Gröning foi o expoente dos julgamentos tardios por crimes do nazismo, abertos após o precedente fixado pelo caso do ucraniano John Demjanjuk, condenado em 2011 a cinco anos de prisão por cumplicidade nas mortes do campo de extermínio de Sobibor, na Polônia ocupada.

Gröning admitiu no processo sua "cumplicidade moral" nas mortes do campo de extermínio de Auschwitz, onde realizou tarefas como a apreensão e administração do dinheiro e as posses de quem chegavam como deportado.

O processado expressou seu arrependimento e pediu perdão aos sobreviventes e familiares das vítimas da acusação, além de lamentar não ter agido em consequência perante crimes dos quais, segundo disse, foi perfeitamente consciente.

A condenação a quatro anos de prisão superou o pedido da procuradoria - que tinha solicitado três anos e meio -, enquanto a defesa pedia a absolvição do acusado.

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