ONU convoca "reunião especial" para a paz na Síria

Genebra, 17 jan (EFE).- O enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, informou nesta quarta-feira que convocou a oposição e o regime sírio para uma "reunião especial" em Viena na próxima semana, em uma nova tentativa de avançar no diálogo auspiciado pela ONU para pôr fim à guerra no país árabe.

A reunião só durará dois dias, entre 25 e 26 de janeiro, e acontecerá na sede da ONU na capital austríaca por problemas logísticos em Genebra, cidade onde normalmente são realizados estes encontros, segundo um comunicado.

O mediador enviou hoje os convites ao Governo sírio e à Comissão Suprema para as Negociações (CSN), principal coalizão política da oposição e que reúne desde o final do ano passado a maioria de grupos opositores, incluídos os tolerados pelo regime.

De Mistura pede às partes que compareçam a Viena "preparadas para "se comprometer" em discussões "essenciais" focadas na elaboração de uma nova Constituição para o país.

O enviado sublinhou a posição das Nações Unidas de que "qualquer iniciativa política implementada por atores internacionais deve ser analisada em função de sua habilidade para contribuir aos esforços da ONU ao processo político de Genebra", que é onde têm sido realizadas as negociações de paz nos últimos seis anos.

Com este comentário, o enviado especial se refere à reunião que Irã, Rússia e Turquia tentam organizar em Sochi para impulsionar a paz na Síria, mas que a oposição percebe como uma estratégia de Moscou para boicotar o diálogo de Genebra.

A ONU afirmou em múltiplas ocasiões que toda contribuição é bem-vinda, sempre e quando sirva de apoio e não de empecilho ao processo de Genebra.

Em seu último discurso perante o Conselho de Segurança, em 19 de dezembro, o mediador se comprometeu a convocar a nona rodada de negociações em Genebra em janeiro e antes da reunião de Sochi, que deve acontecer entre 30 e 31 deste mês.

Mas finalmente este desejo não se cumpriu e, ao invés de convocar a nona rodada, convidou as partes para uma "reunião especial" de dois dias em Viena.

A oitava rodada acabou em dezembro sem avanços, da mesma forma que as anteriores, e com a denúncia da oposição de que o regime a tinha boicotado completamente, não só em seu conteúdo, senão inclusive em sua participação física no encontro.

A delegação governamental chegou tarde, foi embora na metade do processo e voltou pouco antes do fim oficial do encontro.

O mediador, que tinha ameaçado identificar aqueles que boicotassem o processo, não quis esteriotipar o regime desta maneira, mas o acusou de impedir o diálogo, ao obstruir com desculpas a possibilidade de entabular negociações reais e diretas.

De Mistura mostrou sua frustração perante a falta de progressos reais, ainda que não tenha "jogado a toalha", e pediu mais esforços para encontrar uma saída política para os sete anos de guerra, nos quais quase meio milhão de pessoas morreram e metade da população deixou seus lares.

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