Opositor venezuelano denuncia a não divulgação de necropsias dos insurgentes

Caracas, 17 jan (EFE).- Um dos deputados opositores da Venezuela que trabalham para que os corpos dos insurgentes contrários ao governo chavista sejam entregues a seus familiares denunciou nesta quarta-feira que as autoridades não estão permitindo o acesso dos parentes aos restos mortais e também se negam a revelar os resultados das autópsias.

"Pedimos novamente o relatório da autópsia. Não quiseram entregá-lo", disse o deputado Winston Flores, que é membro da comissão que a Assembleia Nacional, de maioria opositora, criou para investigar a operação das forças de segurança que resultou na morte do ex-policial rebelado Óscar Pérez e de integrantes de seu grupo.

"Fomos (ao necrotério) e recebemos a resposta de que os corpos não seriam entregues, que os corpos de Óscar Pérez e de seus companheiros estão às ordens de um tribunal militar e que, até que este tribunal emita uma decisão, a entrega dos corpos não será realizada", acrescentou Flores aos jornalistas em frente ao principal necrotério de Caracas.

O necrotério está, desde a segunda-feira, cercado por guardas nacionais e policiais.

"A resposta do diretor é que não podem cremar o corpo porque o mesmo está às ordens do tribunal militar. Chamou-me a atenção quando disseram 'não podem cremar', ou seja, eles tinham esta intenção, pergunto eu?", disse Flores.

Em uma mensagem no Twitter, a viúva do ex-inspetor da polícia científica que se rebelou contra o chavismo, Dana Vivas, exigiu que o governo venezuelano "permita o reconhecimento do corpo de Pérez" e acrescentou: "não autorizamos a sua cremação".

Outros familiares dos seis mortos durante a operação militar, que teve características de uma "execução extrajudicial" segundo o deputado Flores, compareceram ao parlamento para exigir permissão para ver os corpos.

"Os vídeos nos mostram, assim como fotos nas redes, que houve uma execução extrajudicial e queremos comprovar isto. (...) É preciso ir até as últimas consequências. A Venezuela deve saber o que aconteceu nesse caso", disse Flores sobre a investigação aberta pela Assembleia Nacional.

Segundo o governo do presidente Nicolás Maduro, sete insurgentes e dois polícias morreram na troca de tiros, que, segundo o ministro do Interior, Néstor Reverol, aconteceu quando os rebeldes atiraram enquanto negociavam com os agentes de segurança.

Antes de cair morto, Pérez, de 36 anos, divulgou nas redes vários vídeos nos quais negociava a sua rendição para salvar as vidas dos civis "inocentes" que ele dizia que estavam na residência, situada na zona oeste de Caracas, contra a qual um lança-granadas chegou a ser utilizado.

Em um dos perfis que Pérez utilizava nas redes sociais, foi veiculada a informação de que uma criança de 10 anos e uma gestante morreram na ação das forças de segurança.

Pérez se rebelou contra Maduro em junho ao sobrevoar Caracas com um helicóptero da polícia científica e disparar contra dois edifícios oficiais, mas sem deixar feridos e mortos.

Desde então, o ex-policial gravou vários vídeos na clandestinidade convocando um levante popular contra o governo chavista, e atacou no mês passado, junto com seus homens, uma base militar, onde confiscou armamentos e subjugou os soldados, aos quais recriminou por sua lealdade a Maduro.

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