Polícia venezuelana vigia necrotério onde está corpo de ex-policial rebelado

Caracas, 17 jan (EFE).- Dezenas de agentes da Polícia Nacional Bolivariana da Venezuela estão posicionados desde a manhã desta quarta-feira nos arredores do principal necrotério de Caracas, depois que familiares de Óscar Pérez, o ex-policial que se rebelou contra o governo chavista e morreu na segunda-feira, exigiram reconhecer o corpo.

Pérez morreu junto com outras seis pessoas identificadas como "terroristas" pelo governo venezuelano durante uma operação policial - uma ação classificada como uma "execução extrajudicial" por grupos de defesa dos direitos humanos - em uma casa na zona oeste de Caracas, onde as forças de segurança tinham localizado o paradeiro do oficial rebelado.

Um dos perfis utilizados pelo grupo de Pérez para divulgar nas redes sociais os vídeos em que denunciava a "ditadura" do presidente Nicolás Maduro tinha anunciado que o corpo seria "entregue aos familiares às 7h (9h em Brasília)".

Na mensagem, o grupo pedia aos cidadãos venezuelanos que dessem "apoio e proteção" a esses familiares.

"Além disso, exigimos a entrega dos corpos de nossos outros companheiros que foram massacrados de forma vil", acrescentou o grupo no texto.

Segundo esse mesmo perfil de uma rede social, uma mulher grávida e um menor de idade de aproximadamente 10 anos teriam morrido na operação.

A Agência Efe pôde constatar que, desde o início da manhã, o necrotério permanece cercado por agentes que impedem a passagem a qualquer pessoa que não trabalhe na instituição.

Segundo organizações humanitárias que analisaram os fatos, durante a operação na casa em que estava Pérez e seu grupo, os policiais realizaram muitos disparos e, inclusive, fizeram uso de um lança-granadas.

Vários vídeos gravados no interior da casa mostram Pérez, que tinha 36 anos, negociando com as forças de segurança, solicitando garantias para se entregar e, assim, salvar a vida dos civis "inocentes" que ele alegava que estavam no local.

Óscar Pérez se rebelou contra Maduro em junho ao sobrevoar Caracas com um helicóptero da polícia científica e disparar contra dois edifícios oficiais, sem deixar feridos ou mortos.

Desde então, o ex-policial, vivendo na clandestinidade, gravou vários vídeos pedindo um levante popular contra o governo chavista, e atacou uma base militar no mês passado, onde confiscou armamentos e subjugou os soldados, aos quais recriminou por sua lealdade a Maduro.

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