Vítimas de abusos exigem ações contundentes do papa contra sacerdote chileno

Santiago do Chile, 17 jan (EFE).- Vítimas dos abusos sexuais cometidos durante anos pelo sacerdote chileno Fernando Karadima elogiaram o papa Francisco por ter se reunido com outras pessoas que também foram afetadas, mas exigiram ações contundentes do pontífice contra quem cometer ou encobrir estes crimes.

Na noite desta terça-feira, o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, confirmou que o pontífice se reuniu na sede da Nunciatura Apostólica em Santiago com um "pequeno grupo" de vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero.

Horas antes, Francisco tinha pedido perdão pelos abusos contra menores cometidos por religiosos católicos e tinha dito que sentia "dor e vergonha" pelo "dano irreparável causado a crianças por ministros da Igreja".

O papa pediu este perdão durante o discurso que pronunciou diante das autoridades no Palácio de La Moneda na terça-feira e depois voltou a tocar no assunto em um encontro com religiosos.

A respeito, James Hamilton, um dos denunciantes de Karadima, hoje afastado do exercício sacerdotal, revelou que nem ele nem outras vítimas do ex-pároco, como José Andrés Murillo e Juan Carlos Cruz, foram convidados à reunião na representação diplomática em Santiago da Santa Sede.

"Não, não fomos convidados. No entanto, como vítimas, temos uma parte de todas as pessoas que foram abusadas por sacerdotes e religiosos", manifestou Hamilton através de sua conta do Twitter.

"Valorizamos que essas vítimas que se reuniram com o papa tenham tido uma palavra direta da máxima autoridade da Igreja Católica", acrescentou.

"Esperamos que as palavras a essas vítimas não sejam tudo o que se faça, (mas que além disso) tomem ações concretas que sancionem todos os responsáveis de todas as vítimas e que a justiça seja feita em cada um desses casos", enfatizou.

Hamilton insistiu que isto inclui destituir dos seus cargos "os bispos encobridores" e evitar nomeações "que facilitem a fuga de um vitimizador da ação da justiça".

Nesta terça-feira, Juan Carlos Cruz e integrantes de uma organização chamada Laicos de Osorno - que exige a destituição do bispo dessa diocese, Juan Barros Madrid, pela sua suposta cumplicidade com Karadima - fizeram uma manifestação na capital chilena na mesma hora em que o papa Francisco rezava missa no parque O'Higgins.

A chegada de Francisco ao Chile reacendeu o escândalo dos sacerdotes pedófilos. Sobre o assunto, a organização Bishop Accountability publicou nesta semana uma lista com 80 sacerdotes, clérigos e uma monja acusada de abusos sexuais contra menores de idade no país.

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