Justiça do Chile condena 20 agentes de Pinochet por 3 assassinatos em 1983

Santiago (Chile), 18 jan (EFE).- Um juiz do Chile condenou 20 ex-agentes da ditadura de Augusto Pinochet a diversas penas de prisão pelo assassinato, em 1983, de três integrantes da resistência contra o regime, informaram nesta quinta-feira fontes judiciais.

O engenheiro Arturo Villavella Araujo, o veterinário Sergio Peña Díaz, e Lucía Vergara Valenzuela pertenciam ao Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR, na sigla em espanhol) e tinham retornado clandestinamente ao Chile do exílio para se reunirem à resistência contra a ditadura quando foram assassinados em uma residência na rua Fuenteovejuna, em Los Condes, uma das 32 comunas que compõem a cidade de Santiago, em 7 de setembro de 1983.

Lucía Vergara, de 31 anos, foi colega de classe em uma escola de Santiago da atual presidente do Chile, Michelle Bachelet.

Em uma decisão de primeira instância, o juiz especial Mario Carroza, da Corte de Apelações de Santiago, condenou a 15 anos e um dia de prisão o brigadeiro reformado Roberto Schmied Zanzi, na época chefe da divisão metropolitana da Central Nacional de Informações (CNI), como autor dos homicídios qualificados.

No entanto, o coronel Aquiles González Cortés, o major Álvaro Corbalán Castilla, e os agentes Norman Jeldes Aguilar e Manuel Laureada Núñez foram sentenciados a 10 anos e um dia, também como autores dos crimes.

Outros 15 agentes da CNI, a polícia secreta de Pinochet que substituiu a Dina (Direção de Inteligência Nacional), foram condenados a três anos e um dia, com o benefício da liberdade condicional, como cúmplices dos crimes.

Segundo o expediente do caso, no dia dos fatos a casa em que as vítimas estavam foi cercada por numerosos agentes da CNI, que utilizaram uma metralhadora montada no teto de um jipe, com a qual efetuaram 500 disparos com balas traçantes contra o imóvel.

Após isso, exigiram que os ocupantes da casa se entregassem, e um deles, Sergio Peña Díaz, saiu com as mãos na cabeça, mas acabou baleado pelos agentes, o que levou Lucía Vergara a responder com disparos.

Os agentes retomaram os disparos e também lançaram rojões, incendiando a casa. Lucía Vergara morreu atingida por dezenas de disparos, enquanto Arturo Villavella foi queimado pelas chamas.

Na parte civil, o juiz condenou o Fisco chileno a pagar uma indenização total 335 milhões de pesos chilenos (US$ 550 mil) aos familiares das vítimas.

Durante a ditadura de Augusto Pinochet, segundo dados oficiais, aproximadamente 3.200 chilenos morreram pelas mãos de agentes do Estado, dos quais 1.192 ainda são considerados desaparecidos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Para começar e terminar o dia bem informado.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos