Oposição venezuelana ameaça não participar de diálogo com governo

Caracas, 18 jan (EFE).- A oposição da Venezuela reunida na Mesa da Unidade Democrática (MUD) não deve participar nesta quinta-feira do diálogo com o governo de Nicolás Maduro, previsto para acontecer na República Dominicana, com o acompanhamento de vários países.

O secretário-geral do partido opositor Ação Democrática (AD), Henry Ramos Allup, disse ao jornal local "El Universal" que sua formação não participará desta reunião, a quarta sessão de um processo de negociação que teve início no dia 1º de dezembro do ano passado, sob o patrocínio do presidente dominicano, Danilo Medina.

Enquanto isso, o portal "Crónica Uno" disse que a delegação opositora não vai para Santo Domingo "em rejeição às declarações do ministro do Interior" segundo as quais, no âmbito do diálogo, a oposição forneceu informações sobre o paradeiro de Oscar Pérez, um ex-policial insurgente que foi morto na última segunda-feira.

"Que eu saiba, amanhã (quinta-feira) não há reunião da comissão de diálogo", disse Ramos Allup, citado pelo "El Universal" após mostrar os mesmos argumentos apresentados no "Crónica Uno", onde atribuíram a informação a fontes da oposição não identificadas.

A AD, partido mais antigo da Venezuela, é um dos membros da coalizão opositora que participa das conversas com o governo para buscar uma saída para grave crise que atravessa o país.

Até agora a MUD e nenhum dos delegados da oposição confirmaram publicamente estas informações, e apenas o deputado Luis Florido, um dos representantes opositores nas negociações, acrescentou um comentário no Twitter relacionado com a suposta cancelamento da reunião em Santo Domingo.

O ministro do Interior, Néstor Reverol, "mentiu para os venezuelanos, suas declarações obstruem a reunião de amanhã na República Dominicana. O governo deve negar isso. Um acordo de estado exige seriedade", escreveu o legislador do partido Vontade Popular (VP) na rede social.

No entanto, a delegação da oposição reiterou sua vontade de continuar com as negociações e de preservar o acompanhamento dos chanceleres do Chile, México, São Vicente e Granadinas, Nicarágua e Bolívia "que sem dúvida contribuíram de maneira efetiva para um melhor entendimento dos temas debatidos".

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