Puigdemont pede para poder votar de Bruxelas através de outro deputado

Barcelona (Espanha), 18 jan (EFE).- O ex-presidente da região da Catalunha, Carles Puigdemont, pediu nesta quinta-feira ao parlamento autônomo que possa votar nessa câmara, mesmo estando em Bruxelas, através de outro parlamentar, uma fórmula que o governo da Espanha rejeita.

Junto com outros quatro dos seus antigos conselheiros, afastados pelo governo espanhol no último dia 27 de outubro, Puigdemont se instalou na capital belga dias mais tarde e ali evitam a ordem de detenção por promover a secessão, que seria executada quando pisarem em território espanhol.

Estes cinco políticos, todos eles deputados, além de outros três em prisão provisória, não estiveram ontem na sessão constitutiva do novo "parlament" surgido das eleições de 21 de dezembro, convocadas pelo governo espanhol para restabelecer a legalidade após o processo separatista.

A Mesa - órgão reitor - da Câmara catalã permitiu ontem que os três deputados encarcerados pudessem votar por delegação, ainda que para isso contassem com um auto do Tribunal Supremo que permitia essa opção e que não é aplicável aos cinco foragidos na Bélgica.

A candidatura de Puigdemont, representada pela coalizão soberanista Junts per Catalunya (JxCat), já tinha anunciado que solicitaria para os instalados em Bruxelas a delegação de voto, de modo que pudessem fazer isso já no próximo plenário, que será o de posse do novo presidente regional, sem necessidade de estar presentes.

Os partidos independentistas têm a maioria no parlamento, com 70 cadeiras de 135, mas a ausência destes cinco coloca em risco esse controle, especialmente para a eleição do novo presidente regional durante o debate que acontecerá no final de janeiro.

Puigdemont é o candidato de consenso dos independentistas, ainda que o partido ERC mantenha a incerteza sobre se levará até o fim seu apoio a um candidato cuja eleição poderia ser ilegal.

O novo presidente do parlamento autônomo, Roger Torrent (ERC), alimentou as dúvidas ao assegurar hoje que "já se saberá" se terá que viajar até Bruxelas para falar pessoalmente com Puigdemont, caso das conversas que se inicia hoje com os grupos se deduza que ele é o candidato mais proposto.

A polêmica foi mediada pelo ministro de Justiça espanhol, Rafael Catalá, para quem Puigdemont não pode querer ser presidente regional porque "uma pessoa que está fugindo da Justiça não pode ser candidata a nada".

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